A Virgem com o Menino Jesus e anjos. Díptico de Melun

Ala direita de um díptico desmembrado, a obra em questão era complementada pelo retrato de Étienne Chevalier em oração e apresentado à Virgem por S. Estevão*, hoje conservado na Gemäldegalerie de Berlim. Étienne Chevalier, secretário de Carlos VII, maître-clerc de la Cour de Comptes, Trésorier de France, além de grande mecenas de Jean Fouquet, que lhe pinta as célebres iluminuras do Livro de Horas do Musée Condé de Chantilly, é portanto o comitente dessa obra.

O díptico conservava-se até o século XVIII na igreja colegial de Notre-Dame de Melun, sobre o túmulo de Chevalier. A Virgem é tradicionalmente conhecida como La reine blanche). É possível que seu aspecto marmóreo, em forte contraste com o azul e o vermelho dos querubins e serafins, designe justamente a intenção de representar, não a Virgem, mas um relevo da Virgem, em um jogo de “níveis de realidade” que poderia remeter a práticas não-incomuns na pintura do século XV, e não apenas na área franco-flamenga. Albert Châtelet, que avança esta hipótese, lembra o exemplo dos relevos florentinos e em especial um de Antonio Rossellino no Metropolitan Museum de new York, onde se verifica uma composição semelhante, com serafins ao fundo.

A Virgem rainha dos céus, com sua esplêndida coroa, seu manto e vestido de cetim, sentada sobre um trono cravejado de pérolas e pedras preciosas e rodeada por sua corte de anjos da mais alta posição na hierarquia celeste, é evidentemente uma Virgem assunta e uma Virgem em glória, reinante no esplendor de sua glória celeste. Por outro lado, a exposição ostensiva do seio remete à sua condição terrestre de nutriz do menino Jesus, em uma espécie de equilíbrio entre condição humana e sobre-humana denso de alusões teológicas.

No século XVI, corria a lenda segundo a qual os traços fisionômicos da Virgem reportariam os de Agnès Sorel, la belle Agnès, amante de Charles VII. Nascida em Fromentau (Touraine) em 1422, Agnès Sorel morre em 1450, seja no parto de seu quinto filho com o rei (3 mulheres sobrevivem), seja envenenada. Tal identificação é naturalmente inverossímil, tanto mais em um díptico encomendado por um servidor de primeira linha de Carlos VII.

Luiz Marques
13/01/2010

Artista

FOUQUET, Jean

Data

1450c.

Local

Antuérpia, Musée Royal des Beaux-Arts

Medidas

93 x 85 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

711 - A Virgem com o Menino Jesus; 711A - Maestà. A Virgem no trono com o Menino Jesus e os Anjos; 711B - A Virgem amamentando Madonna del Latte

Autor

Luiz Marques

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