Anjos Tocheiros (exemplar 2)

“Anjos tocheiros da Igreja jesuítica de São Francisco Xavier do Colégio de Santo Alexandre em Belém, executados em par, onde o lado de um tocheiro é o inverso do outro. De composição idêntica, estão vestidos como soldados romanos. Confeccionados em madeira (cedro), atualmente se encontram totalmente destituídos de policromia. Com a função de iluminar o altar na celebração da missa, e servindo ainda como uma espécie de “”figura de convite””, segundo a historiadora Myriam de Oliveira, os anjos tocheiros eram comuns na decoração de igrejas setecentistas luso-brasileiras, e também funcionavam simbolicamente como guardiões do espaço sagrado da capela-mor. (OLIVEIRA, p. 79). Levando em consideração que os anjos faziam parte da decoração do espaço do presbitério, é válido supor que assim como a talha do altar-mor, a autoria do desenho dos tocheiros seja do jesuíta tirolês João Xavier Traer, provável fundador das Oficinas do Colégio de Belém. Após a transformação do complexo dos inacianos em Museu de Arte Sacra em 1998, os tocheiros foram retirados do espaço da Igreja, e expostos para visitação em uma sala especial no antigo Colégio. Os “”Anjos Tocheiros”” são mencionados no Inventário da capela-mor da Igreja de Belém, realizado em razão da expulsão dos jesuítas (1759): “”dois anjos de 11 palmos de alto com suas peanhas de 3 palmos e meio de alto douradas, os anjos porém estofados, de extremosa beleza colocados no presbitério da capela-mor com uso de tocheiros””. (ARSI, BRASILIAE 28, f. 8v). O cronista jesuíta João Daniel também se refere aos anjos tocheiros em seu Thesouro: “”No colégio dos padres da Companhia, na cidade do Pará, estão uns dous grandes anjos por tocheiros com tal perfeição, que servem de admiração aos europeus; e são a primeira obra que fez um índio daquele ofício; e se a primeira saiu tão primorosa, e de primor, que obras de prima não faria depois de dar anos ao ofício?”” (DANIEL, p.342)

Renata Martins
15/02/2010

Bibliografia:

DANIEL, João S.J. Thesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas. Belém / Rio de Janeiro: Pref. de Belém / Contraponto, 2004, v. 1, p. 342

MARTINS, Renata. “”Tintas da Terra, Tintas do Reino: Arquitetura e Arte nas Missões Jesuíticas do Grão-Pará””. FAU-USP, São Paulo, 2009, v. 1, pp. 383-386 (Tese de Dout.)

OLIVEIRA, Myriam R. de. “”A Epopéia Jesuítica no Amazonas e sua obra arquitetônica e escultórica””. In: FELIZ LUSITÂNIA – MUSEU DE ARTE SACRA DO PARÁ. Belém: SECULT, 2005, p. 79.

Documentação Primária:

ARSI, BRASILIAE 28, f. 8v.”

Artista

Companhia de Jesus, Anônimo

Data

1701século XVIII

Local

Belém, Museu de Arte Sacra do Pará

Medidas

141,5 x 46 x 34 cm

Técnica

Madeira

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

71 - PERÍODO COLONIAL NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

724 - ANJOS

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *