Apolo

Esta célebre estatueta de Giambologna (1529-1608) é um dos oito grandes bronzetti representando divindades mitológicas – todos de autorias diferentes – destinados a ornar os nichos próximos aos ângulos das paredes do Studiolo do Grão-Duque Francesco I de´ Medici (1541-1587), no Palazzo della Signoria (Palazzo Vecchio) de Florença.

O Apolo de Giambologna era a única escultura cuja base permitia que girasse sobre seu próprio eixo. Com efeito, trata-se de um exemplo extremo de escultura concebida para ser vista de diversos pontos de vista. A forma serpentinada radicaliza-se a tal ponto que se eclipsa aqui inteiramente a supremacia da frontalidade, própria da escultura antiga. O contrapposto clássico transforma-se em uma quase espiral e a fortíssima projeção lateral do quadril, além de suas formas roliças conferem a este Apolo Citaredo um aspecto andrógeno, que o aproxima particularmente da figura da Astronomia* de Viena.

A obra dá a mais plena confirmação do temperamento sensual do artista, por excelência afeito à mitologia clássica e à vertente mais erotizante da última “maniera” ítalo-setentrional. Não por acaso, Giambologna, de origem franco-flamenga, foi em 1589 denunciado à Inquisição de Nápoles por seu ex-discípulo, o escultor florentino Michelangelo Nacherino, que o acusa de levar vida totalmente areligiosa e de não se ter quase jamais interessado por temas sagrados.

O intrincado programa iconográfico do Studiolo do Duque Francesco I de´ Medici, em que a obra se insere, foi elaborado sobretudo por Vincenzio Borghini e executado sob a regência de Giorgio Vasari, entre 1572 e 1575.

Elogio do equilíbrio entre público e privado, entre Vida ativa e contemplativa, em suma, da sabedoria e da justiça do Grão-Duque Francesco I, novo Salomão de uma Florença pacificada e próspera, baseia-se esse programa em imagens – muitas delas extraídas das Metamorfoses de Ovídio -, alusivas às antigas interações, esquematizadas no século VII por Isidoro de Sevilha, entre os quatro humores, os quatro temperamentos, as quatro estações do ano, as quatro idades do homem e os quatro elementos.

Neste cosmos simbólico, o Apolo de Giambologna situa-se ao lado de Vulcano, figurando, respectivamente, o Sol e o Fogo. Próximas a essas duas esculturas estavam pinturas de temas relacionados com o fogo e a fundição, um dos temas prediletos de Francisco I, obcecado por alquimia.

Luiz Marques
13/08/2011

Bibliografia
1967 – L. Berti, Il Principe dello Studiolo. Francesco I dei Medici e la fine del Rinascimento fiorentino. Florença, EDAM, pp. 61-85.
1993 – C. Avery, Giambologna, Londres, Phaidon, pp. 28, 139

Artista

Giambologna, Jean Boulogne, chamado

Data

1572-1575

Local

Florença, Palazzo Vecchio

Medidas

88,5 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

12Apo - Apolo

Autor

Luiz Marques

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