Apolo do Belvedere. Imagem 1 (estado atual)

Localização inventarial: Cortile delle Statue APO 2, inv. 1015

No tronco, vê-se o atributo de Apolo Píton, a serpente Píton, que Apolo mata com suas flechas para fundar seu santuário aos pés do Párnaso, não distante de Delfos.

A escultura representa uma epifania de Apolo, tal como a percebe Francesco Albertini, em seu guia de Roma de 1510:

Quid dicam de pulcherrima statua Apollinis quae uiua (ut sic dicam) apparet

Que direi da belíssima estátua de Apolo que aparece, por assim dizer, viva!.

Representado no ato de despachar uma flecha, Apolo aparece em ação de combate. O estado fragmentário da estátua – removidos os restauros de 1532/33 que integravam seus dois braços (ver adiante) – impede a compreensão do momento exato deste ato, pois a mão direita podia estar segurando a flecha retirada do carcás, ou já em repouso após o tiro. A segunda alternativa parece mais provável, dada a postura já relaxada do corpo.

É incerta a situação histórica do Apolo do Belvedere, considerado por vezes uma obra eclética tardo-helenística de idade imperial e por vezes (mais frequentemente) uma cópia de idade adriânea do original brônzeo de Leocares (330-320 a.C.) mencionado por Pausânias (I,3,4) no pronaos do templo de Apolo Patroos no setor NO da Ágora de Atenas, ao lado de outro Apolo “Alexikakos”, de Kalamis.

A contraposição com um Apolo Alexikakos (apotropaico), isto é, entre uma imagem de cunho protetor e uma de caráter agressivo (despachando flechas), explicaria a atitude belicosa dessa estátua, em vias presumivelmente de eliminar de seu santuário os “bárbaros” ou inimigos dos Gregos em geral, o que bem se coadunaria com o caráter de um templo consagrado a Apolo Patroos (“Paternal”, isto é, pai da raça jônica).

Se assim for, esta posição de defensor da Grécia pode aludir a um evento preciso, uma vitória militar passada ou presente, ou simplesmente a uma contraposição genérica contra o bárbaro e o monstruoso, a exemplo das Gigantomaquias, Amazonomaquias e Centauromaquias que decoravam os templos e santuários áticos, inclusive o Parthenon.

ver a continuação do texto na imagem 2 do Apolo do Belvedere (detalhe)

Artista

Leocares, cópia romana de

Data

117/ 138

Local

Vaticano, Museo Pio Clementino

Medidas

224 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

12Apo - Apolo, Febo, Hélio, Sol

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *