Baco

Localização inventarial: Ms. R 17, 3, fol 14

A intenção de confundir moderno e antigo em uma mesma excelência está possivelmente na raiz do desenho de Martaen van Heemskerck* (Codex Berolinensis, Berlim, Kupfertischkabinett, fol. 72a, 1532 35) e da gravura de Cornelis Bos que mostram a escultura “camuflada” entre anticaglie no jardim romano da casa Galli.

A falta da mão direita no desenho e na gravura aprofundam a sugestão de que se trate de uma escultura antiga, sugestão que se explicita na inscrição posta sobre um desenho realizado por um artista anônimo por volta de 1551 / 1552, conservado no Codex Cantabrigensis, Cambridge, Trinity College:

Scoltur de michelangeli the which was buried in the grownd and fond for antick.

(Escultura de Michelangelo, que foi enterrada e encontrada como obra antiga)

Nesse desenho, atribuído por vezes a Giambologna, cf. Freedman [2001:123], surge do punho da escultura uma ponta de ferro, supostamente indicativa de uma anterior tentativa de restauração, o que reforça a verossimilhança de antiguidade da obra.

A se crer nessa inscrição, a escultura teria sido, portanto, objeto de uma fraude idêntica à do Cupido, executado um pouco antes, ainda em Florença, por Michelangelo. No final do século XVI, em seu Romanae urbis topographiae et antiquitatum [1597 1602:34], Jean-Jacques Boissard, um antiquário francês que vivera em Roma entre 1555 e 1561, dá mais um passo ao escrever que o próprio Michelangelo quebrara sua obra para simular uma origem antiga e depois a revelar aos romanos como própria.

Como mostra Maria Berbara [2008], retomando o dossiê da suposta “falsificação” do Baco, também na Espanha de finais do século XVI e primeira metade do século XVII difundira-se essa convicção.

Luiz Marques
22/07/2010

Artista

Michelangelo, Cópia de 1551

Data

1551/ 1552

Local

Cambridge, Trinity College

Medidas

desconhecidas

Técnica

Desenho

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

12Bac - Baco Diôniso, Liber

Autor

Luiz Marques

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