Cadmos e a fundação de Tebas

Registro inventarial: E 669

Esta taça ática de figuras negras proveniente da Etrúria
representa Cadmos e a fundação da cidade de Tebas. O mito de
Cadmos fornece o início do ciclo tebano. Dos amores de Zeus
com Io, sacerdotisa do templo de Hera em Argos, surgiu
Épafos, cuja filha, Líbia, engendrou, com Posêidon, dois
gêmeos: Agenor e Belos.

Agenor estabeleceu-se na Síria e reinou sobre Tir e Sidon
(hoje, no Líbano). Com sua esposa, Telefassa (também chamada
Argiopé), teve três (ou cinco) filhos: Cadmos, Fênix e
Cílix. E uma filha, Europa. Quando Zeus rapta esta última,
seu pai, Agenor, envia Cadmos em sua busca, com a ordem de
não retornar sem ela.

Após procurá-la em vão, Cadmos é instruído pelo oráculo de
Apolo, em Delfos, a seguir uma novilha e ir habitar o local
em que ela se deitar. Cadmos aí fundará sua cidade, Tebas,
na Beócia, mas não sem antes dever enfrentar e matar uma
monstruosa serpente – filha de Ares e gardiã da fonte – que
dizima seus acompanhantes.

Entre 410 e 407, aproximadamente um século e meio após a
decoração desta taça, Eurípedes (485c. – 406c. a.C.) deixa
nos versos do coro das Fenícias, 638-673 um rápido
relato do mito de Cadmos, de que Ovídio, no canto III das
Metamorfoses será na tradição latina o mais
importante legatário. Eis a passagem do texto de Eurípedes
em questão:

Estrofe: “Cadmos veio de Tir para estes lugares, deteve-se
no lugar em que a novilha se deitou. Assim cumpriu-se o
oráculo que dava a Cadmos, por futura cidade, a planície de
trigo da Beócia, onde as águas vivas do rio Dirce atravessam
com suas belas ondas os campos verdes de profundos sulcos.
(…)

Antístrofe: “É lá que um dragão filho de Ares, um gardião
sanguinário, com olhos sempre à espreita, vigiava fontes e
riachos sob as folhagens verdes. Cadmos, em busca de água
lustral, matou-o com uma pedra branca, lançada com toda a
força”.

A imagem pintada pelo Pintor dos Cavaleiros (Peintre des
Cavaliers) mostra a novilha deitada e Cadmos prestes a matar
a serpente com sua lança e com a proteção de Atena, como
indica o escudo com a cabeça da Medusa. Atrás da serpente,
vêem-se o palácio e a muralha de Tebas que o herói virá em
seguida a fundar. A outra serpente pode indicar a forma por
ele assumida quando, ao final de sua vida, ascender à
imortalidade com Harmonia, sua divina esposa.

Luiz Marques
21/07/2011

Bibliografia:
1959 – C. Rolley, “Le Peintre des Cavaliers”. Bulletin de
correspondance hellénique, 83, 1, pp. 275-284.
2000 – A. Caubet, P. Pouysségur, L. A. Prat, L´Empire du
Temps. Mythes et créations. Catálogo da exposição, Paris,
Louvre, p. 56.

Artista

Pintor dos Cavaleiros (Peintre des Cavaliers)

Data

-570- 550 a.C.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

11,3 x 24 cm

Técnica

Cerâmica

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

54 - O Ciclo Tebano; 58A - Cadmos e Êquion fundam a cidade de
Tebas

Autor

Luiz Marques

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