Captura de Jesus

“Na cena da captura de Jesus no Horto das Oliveiras, detêm-se os quatro Evangelhos: Mateus, 26, 47-66; Marcos, 14,43-52; Lucas, 22,47-53 e João, 18,1-12. Na história da arte, o tema é mostrado no momento em que Judas beija Cristo e Pedro reage à prisão de Cristo cortando com a espada a orelha de um soldado, chamado Malcos. Na cena em questão, José Joaquim da Rocha destaca a reação de Pedro, mostrado, contudo, com semblante sereno.

Esta pintura integra uma série consagrada aos Passos da Paixão de Cristo, série que tem a peculiaridade de ser levada em procissão e trazer no verso de cada pintura um Anjo com as insígnias da Paixão, chamado, na Bahia, Anjo da Procissão dos Fogaréus. Este Anjo* traz, além de uma tocha, a corda, o saco do trinta dinheiros, a espada usada por Pedro e a orelha de Malcos.

Segundo o que reporta Menezes de Athayde das pesquisas de Manuel Querino (A Bahia de Outrora, 1916) e João da Silva Campos, a Procissão dos Fogaréus, originada da Península Ibérica e levada à Bahia em 1586, era uma sacra representação da prisão de Cristo. A procissão partia da Igreja da Misericórdia por volta das vinte horas de Quinta-Feira e seguia pelas ruas da cidade até a Igreja da Ajuda, de onde retornava ao ponto de origem para o sermão de encerramento. A procissão era precedida por uma personagem conduzindo o Pendão, estandarte com as letras S.P.Q.R. (Senatus Populusque Romanorum); “”seguiam-se sete pinturas dos Passos da Paixão, levados pelos irmãos da Misericórdia e cada qual flanqueado por dois sacerdotes e outros dois irmãos com seus pesados trajes com capuz e abas largas e portando tocheiros. Robustos escravos conduziam pendentes de sólidas varas de madeira, grandes lanternas de ferro nas quais ardiam estopa, breu e aguarrás. (…) Dois personagens grotescos também integravam o cortejo: o Enxota-Cães ou Farricoco, segurando um bastão com o qual abria caminho entre a multidão (que lhe respondia à altura com pedradas e insultos), e o Gato da Misericórida, que com sua matraca indicava onde e quando o séquito devia deter-se ou prosseguir””. A cerimônia foi extinta em 1874 em decorrência das pedradas e ferimentos recebidos pelos fiéis.

José Joaquim da Rocha (1737? – 1807?) é considerado o mais importante pintor ativo na Bahia no século XVIII. Sua educação pareceria supor o conhecimento direto dos afrescos de Andrea Pozzo em Roma.

Luiz Marques
07/11/2009

Bibliografia:
1997 – S. Menezes de Athayde, O Museu de Arte da Bahia, Banco Safra, p. 30″

Artista

ROCHA, José Joaquim da

Data

1786

Local

Salvador, Museu de Arte da Bahia

Medidas

105 x 95 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

SÉCULO XVIII

Index Iconografico

606E14 - Captura de Jesus

Autor

Luiz Marques

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