Cecilia Valdés II.

Esta figura feminina da autoria do pintor cubano Cosme Proenza inspira-se na personagem literária Cecilia Valdés, protagonista da novela homônima do escritor cubano Cirilo Villaverde (1812 / 1894), considerada o primeiro romance das letras na Ilha.

O escritor incorporara em seu enredo as características do sistema escravista e da sociedade colonial, tendo como centro Cecilia Valdés, filha ilegitima de um burguês branco e uma negra livre. Desconhecendo sua própria origem, Cecilia viverá um romance apaixonado com seu meio-irmão branco, que logicamente desembocará em tragedia.

Considerada tanto um retrato da sociedade colonial cubana, quanto uma dura crítica a ela, o impacto do romance Cecilia Valdés na cultura nacional é tal que prontamente se converterá em leitura obrigatória e o verismo com que o autor descreve seus personagens transformá-los-á em ícones.

A figura de Cecilia converte-se deste modo num símbolo de cubanidade, uma representação da mestiçagem das mulheres da Ilha, um conjunto de beleza e voluptuosidade. A encarnação desta mulher altiva é o motivo de inspiração de Cosme Proenza que se alimenta também das distintas interpretações da obra que têm contribuído para dar vida a mítica personagem. Dentre estas, podem-se recordar a zarzuela “Cecilia Valdés” (1932) de Gonzalo Roig (1890 / 1970) considerada até hoje a obra mais representativa do teatro lírico cubano, o filme “Cecilia” rodado em 1982 sob a direção de Humberto Solás e a versão de corte satírico “La Loma del Ángel” (1987) do escritor Reinaldo Arenas (1943 /1990).

Graduado na “Escuela Nacional de Artes Plásticas de Cubanacán” (1973), e em pintura monumental no Instituto Superior de Belas Artes de Kiev, Ucrânia, Cosme Porenza, recria a personagem literária de Cecilia Valdés a partir de uma técnica depurada e preciosista. Sua Cecilia evidencia o conhecimento da obra dos grandes mestres da pintura universal reelaborados na linguagem do realismo mágico latino-americano. Este retrato de Cecilia apresenta a figura feminina num ambiente surreal, o panejamento profuso de suas roupas que se assemelham à textura da cortiça de uma árvore, o cabelo enfeitado com penas e folhas, a arquitetura ilusionista, o olhar reflexivo em contemplação, a cidade entre as nuvens, o brilho da paleta do artista falam de um contexto propositalmente fabuloso. Cecília metamorfoseia-se em natureza, convertendo-se numa especie de alegoria da nação.

Mónica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte
17/05/2010

Artista

PROENZA, Cosme

Data

2002

Local

Coleção Particular

Medidas

229 x 143 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1000 - Personagens da literatura; 1000Vill - Cirilo Villaverde

Autor

Luiz Marques

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