Corte de Carnaúba

“José dos Reis Carvalho formou-se com o pintor francês Jean Baptiste Debret na Academia Imperial de Belas Artes e participou de diversas exposições, como a de 1829, segundo relata Debret em sua “”Viagem Pitoresca””. Foi o pintor que participou da Comissão Científica de Exploração que D. Pedro II enviou ao Ceará entre os anos de 1859 e 1861, ocasião em que realizou a aquarela “”Corte de Carnaúba””.

Segundo Luís Câmara Cascudo, a primeira descrição da carnaúba (Corypha cerifera Arr) fora feita por Jorge Marcgrav (1610-1644) na “”História Naturalis Brasiliae”” onde escreveu: “”Suas folhas servem para cobrir choupanas e para o fabrico de cêstos; com a madeira fazem-se cercados para se prenderem ovelhas e animais de carga […]””. Manuel de Arruda Câmara foi o primeiro brasileiro a estudá-la, classificá-la e descrevê-la. Anunciou o produto em 1796 ao Paládio Português. Segundo ele, a planta crescia nas várzeas e nas margens dos rios e riachos de Pernambuco, Paraíba do Norte, Ceará e Piauí, e principalmente nas bordas do rio Jaquaribe, Apodi, Moçoro e Açu.

Outro naturalista viajante a descrevê-la foi Carlos Frederico Filipe von Martius. Ele viu a carnaúba nas proximidades de Juazeiro, margens do Rio São Francisco em 30 de março de 1819. Em sua “”Viagem pelo Brasil””, a carnaubeira foi descrita como a “”palmeira cerífera do Brasil””, “”uma das mais belas palmeiras de leque que ornamentavam as várzeas””, o tronco era utilizado como vigas e ripas nas construções de casas e jangadas. Nas suas palavras: “”As folhas novas são revestidas de escamazinhas brancas que, sendo ligeiramente aquecidas, derretem dando uma espécie de cera, com que se fazem velas””.

Thomas Pompeu de Souza Brasil, importante naturalista do nordeste do Brasil no século XIX, lamentou o mau uso da planta e seu corte desordenado. No seu “”Ensaio Estatístico da Província do Ceará”” afirmou: “”Um dia, […] os poderes sociaes […] se lembrarão tarde de pôr cobro à destruição de uma arvore, que é uma verdadeira riqueza””.

Claudio Alves
12/02/2010

Bibliografia:
BRASIL, T. P. de S., Ensaio Estatístico da Provínica do Ceara, Tomo I, 1ª. ed. 1863; Fortaleza: Fundação Waldemar Alcântara, 1997. (p. 170).

CASCUDO, L. Câmara. “”A carnaúba””. Revista Brasileira de Geografia, Ano XXVI, No. 02, abril/junho de 1964.

SPIX, J. P. e F.P. von MARTIUS. Viagem pelo Brasil (1817-1820) – Tomo II. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1938. (pgs. 199 a 201).

Artista

REIS CARVALHO. José dos

Data

1859

Local

Rio de Janeiro, Museu Dom João VI

Medidas

17,9 x 37,1 cm

Técnica

Aquarela

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1602 - Paisagens com arquiteturas e figuras

Autor

Claudio Alves

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *