Cratera de Vix

Esta imensa cratera com alças verticais em volutas é uma das
maiores proezas de elegância no trabalho do bronze legadas
pela arte grega de todos os períodos. Pesando 208 kgs e
medindo 164 cm de altura e 127 cm de diâmetro na parte mais
larga do bojo e com uma capacidade de 1100 litros de vinho,
ela é também o maior objeto de gênero conservado da
Antiguidade.

O corpo do vaso, de 60 kgs, é uma peça única de bronze
martelado, sem solda, com uma espessura extraordinariamente
fina que varia entre 1 e 1,3 mm, uma façanha técnica
insuperável que assombra os arqueólogos contemporâneos. Este
trabalho só é materialmente possível a partir de um bronze
produzido com cobre muito puro, como resulta de pesquisas
realizadas por arqueólogos e metalurgistas do CNRS.

As áreas figurativas do vaso são de excepcional qualidade
artística. Suas alças são decoradas com máscaras de Górgonas
e seu colo, com uma frisa de hoplitas e oito quadrigas
conduzidas por um auriga e seguidas, cada uma, por um
hoplita em armas.

Descoberto em 1953, com diversos objetos, num tumulus
principesco de tipo tombe à char – inumação
característica da Primeira Idade do Bronze céltica,
consistindo em enterrar o defunto em seu carro de guerra -,
a Cratera de Vix era naturalmente a mais importante peça de
um impressionante conjunto de objetos suntuários – fíbulas,
colares de âmbar e de ouro, braceletes, um diadema de ouro
maciço, joias diversas, cerâmica e serviços de bronze -,
pertencentes a uma mulher ricamente ornamentada, nomeada a
Princesse de Vix ou Dame de Vix.

A presença desta cratera em Vix, na atual Côté d´Or
(Borgonha), explica-se, segundo Jerôme Carcopino, pelo fato
de que Vix era um florescente entreposto comercial céltico
que dominava o intercâmbio entre o estanho, matéria-prima do
bronze, proveniente da Cornualha, e de objetos de bronze
criados por ateliês helênicos que se exportavam para a Gália
através de Marselha.

Diversas foram, de início, as hipóteses de datação e
proveniência desta cratera. Pensou-se, por exemplo, em datá-
la de meados do século VI e, quanto à proveniência, em
ateliês de Corinto, Lacônia, Calcídia, Taranto, Argos e
mesmo da Etrúria toscana.

A análise comparativa com um conjunto expressivo de vasos de
bronze contemporâneos, conservados em Munique, Louvre e
British Museum, e sobretudo com oito hídrias de bronze
descobertas em Paestum em 1954 por Pellegrino Claudio
Sestieri, permitem datar a cratera de Vix do último quarto
do século VI a.C. e estabelecer sua origem, genericamente,
em um ateliê grego da Magna Grécia.

Luiz Marques
31/12/2011

Bibliografia:
1955 – G. Vallet, F. Villard, “Un atelier de bronzier: sur
l´école du cratère de Vix”. Bulletin de correspondance
hellénique, 79, pp. 50-74.
1958 – A. Parrot, Resenha de Jerôme Carcopino, Promenades
historiques au pays de la Dame de Vix. Syria, 35, pp. 137-
138.
1996 – C. Rolley, “La sculpture de Grande Grèce”, in G.
Pugliese Carratelli, Grecs en Occident. Catálogo da
exposição, Veneza, Palazzo Grassi, pp. 369-399.
2003 – C. Rolley (dir.), La Tombe princière de Vix, Dijon:
Éditions Picard.
2004 – S. Bellaud, “Le cratère de Vix, chef d´ouvre”. CNRS,
le journal, 176, setembro
http://www2.cnrs.fr/presse/journal/1624.htm

Artista

Anônimo

Data

-530/ 500 a.C.

Local

Châtillon-sur-Seine, Musée du Pays Châtillonais

Medidas

164 cm de altura

Técnica

Bronze

Suporte

Artes decorativas

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

430 - Iconografia funerária antiga; 430A - Cortejos e Cenas
de inumação, cremação ou lamentação

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *