Cristo Morto

Ao analisar a função iconográfica deste Cristo morto do escultor espanhol, Diego de Siloe (1495 – 1563), Luciano Migliaccio escreve: “a escolha de Galeazzo Caracciolo de erigir a sua nova capela na igreja de S. Giovanni a Carbonara, para onde convergiam a recordação das glórias civis da família e as aspirações de Egidio da Viterbo à reforma religiosa, tem (…) muitos pontos de contato com a cultura dos círculos pontanianos. Esta influência confirma-se ainda pela análise dos temas iconográficos da capela”.

“Como que a ecoar as palavras de Egidio da Viterbo no diálogo Aegidius de Giovanni Pontano, o fulcro simbólico da capela é representado pela tríplice representação do Cristo sobre o altar: o Cristo Menino, ao centro, sentado sobre um altar sacrificial antigo, carregado por Maria, no relevo da Adoração dos Magos, sublinha o sentido sacrificial da representação; o Cristo morto no paliotto, evidente alusão eucarística, traduzida por uma remissão, então incomum, ao tema da nudeza heróica clássica. E o Cristo ressuscitado, no tímpano, no ato de indicar o céu com a mão direita”.

“É vívido na poesia religiosa que os humanistas napolitanos produziram no primeiro decênio do Quinhentos o interesse pela figura dramática do Cristo morto, ligada ao mistério da eucaristia e da redenção pela graça, bem como sua associação ao tema pagão do sacrifício”.

“Gabriele Altilio, interlocutor do Aegidius pontaniano, escreveu uma ode intitulada Christum sepultum, na qual desenvolve a imagem, não somente bíblica, mas também, e sobretudo, virgiliana, do cordeiro levado ao sacrifício. Nos versos de Altilio há uma clara referência ao tema agostiniano da redenção graças ao sacrifício eucarístico e, através deste, ao tema da divinização do homem. Em sua De morte Christi ad mortales Lamentatio, Sannazzaro retoma, de resto, o tema presente em São Paulo, para quem o sacrifício de Cristo substitui o sacrifício de sangue do mundo antigo anterior à graça”.

Bibliografia
2008 – L. Migliaccio, “A Cappella Caracciolo di Vico: o ideal pontaniano da magnificência e as artes no início do século XVI entre Roma, Nápoles e a Espanha. In, L. Marques (org.), A Fábrica do Antigo, Editora da Unicamp, p. 247

Artista

SILOE, Diego de

Data

1515/ 1516

Local

Nápoles, S. Giovanni a Carbonara

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

615 - O Cristo Morto

Autor

Luiz Marques

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