Cristoforo Madruzzo

“Registro inventarial: inv. n. 20

No alto à direita, há a indicação da data (repetida também sobre o relógio: “”1.5.5.2.””) e da idade do retratado: “”ANNO D[omi]NI. MDLII / AETATIS SUAE XXXVIIII / TITIAN[US] FECIT””.

Tiziano foi um retratista incansável e pouco exagerava Vasari (1568) ao afirmar que: “”Não houve quase senhor de grande nome ou príncipe ou grande senhora que não tenha sido retratado por Tiziano””.

De retorno de uma segunda estada em Augsburgo, em 1551, Tiziano retrata Cristoforo Madruzzo nos anos em que este se encontra em Trento – na qualidade de Príncipe-Bispo da cidade -, o anfitrião do grande Concílio de 1545-1563.

Fundamental personagem da história política e eclesiástica da Europa do século XVI, Cristoforo Madruzzo (1511-1578) estuda Direito em Pádua, onde em 1531-32 recebe as ordens menores, e Jurisprudência em Bolonha (1532-1537), enquanto ocupa a posição de “”procuratore della nazione germanica”” (sua mãe, Eufemia Sporenberg, era alemã) e galga paralelamente com notória avidez todas as dignidades clericais até o cardinalato, obtido em 1542.

Durante dois anos, 1556-57, Madruzzo assume o cargo de governador de Milão, em nome do Imperador. Defensor declarado dos interesses hispano-imperiais, tenta desempenhar um papel de mediador nas diferenças que opunham então a Igreja à causa espanhola, sendo esta talvez a razão pela qual não envergue aqui a indumentária cardinalícia.

Em 1567, lega os títulos tridentinos ao sobrinho Ludovico Madruzzo e morre em 1578, em Tivoli, hóspede do Cardeal d´Este.

O relógio que ocupa uma posição tão preponderante neste retrato (presente não raramente na retratística tizianiana), acompanhou curiosamente os deslocamentos da obra e foi ainda visto por Cavalcaselle em 1877, na residência dos barões Salvadori.

Objeto de diversas interpretações, ele deve simbolizar de modo geral, como aventa Panofsky (1969), e sem prejuízo de eventuais significações mais pontuais ou circunstanciais, um memento mori, uma advertência sobre a transitoriedade da glória e a necessidade da temperança. Como tal, é um lugar comum da retratística veneziana e recomparece por exemplo ainda num retrato de Paris Bordon, conservado no MASP.

Após a restauração de 1992-1995, confiada aos cuidados de Andrea Rothe, do Getty Museum, a obra recupera visibilidade.

A obra foi sempre objeto de avaliações superlativas, desde Cavalcaselle que, no século passado, definia-a “”um dos retratos importantes da escola vêneta””, até Pallucchini que, em 1969, fala de “”uma pasta cromática já digna de Renoir””, para concluir: “”Jamais como nesta imagem Tiziano soube imprimir o senso de uma vida fluida e corrente; colhida em uma atitude, em um movimento, em um olhar; a personagem revive assim em uma inteireza física e espiritual. Neste retrato de figura inteira, Tiziano mostra saber ambientar o modelo em uma nova dimensão temporal, captada mediante a perfeita aisance do seu meio pictórico, fluido e atmosférico a um só tempo””.

A obra entra no MASP em 1959 e pode-se remontar sua proveniência até o Castello del Buonconsiglio em Trento, no século XVI.

Luiz Marques
03/01/2010″

Artista

TIZIANO Vecellio

Data

1552

Local

São Paulo, Museu de Arte de São Paulo

Medidas

210 x 109 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura

Autor

Luiz Marques

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