Cronos e Reia

Registro inventarial: inv. MNB 1289

Esta cratera ática de figuras vermelhas, proveniente da
Itália, entra nas coleções do Louvre em 1878.

Na face A (exposta), vê-se à esquerda, Cronos com um cajado
ou longo cetro da soberania. Ele recebe de Reia, acompanhada
por duas servas, a pedra envolta em panos, prestes a ser
devorada pelo Titã no lugar de seu filho, Zeus, que Reia
havia ocultado em Creta, em uma caverna nas encostas do
monte Egeon. Trata-se possivelmente da primeira
representação visual conservada deste mito teogônico,
narrado na Theogonia, 453-491, de Hesíodo:

“Reia submeteu-se à lei de Cronos e deu-lhe gloriosos
filhos, Histié, Demeter, Hera de brocados de ouro, e o
possante Hades, que estabeleceu sua morada sob a terra, deus
de coração implacável; e o ressonante Abalador do solo
[Poseidon]; e o prudente Zeus, pai dos deuses e dos homens,
cujo raio faz vacilar a vasta terra. Mas seus primeiros
filhos, Cronos os devorava desde o momento em que cada um
deles do ventre sagrado de sua mãe descia aos seus joelhos.
O coração de Cronos temia que um dos netos de Uranos
obtivesse, dentre os Imortais, a honra régia. Sabia ele,
graças a Gaia e a Uranos estrelado, que seu destino era
sucumbir um dia sob seu próprio filho, não obstante sua
própria potência – pela justiça do magno Zeus. Assim,, com o
olhar atento, vigiava, sempre à espreita, e devorava todos
os filhos. E uma dor sem trégua possuía Reia.

Mas veio o dia em que ela devia dar à luz Zeus, pai dos
deuses e dos homens. Suplicava então a seus pais, Gaia e
Uranos estrelado, que com ela urdissem um plano que lhe
permitisse parir seu filho escondida e pagar às Erínias a
dívida de seu pai e de todos os seus filhos devorados pelo
grande Cronos de pensamentos capciosos. Escutando e
aprovando sua filha, eles a instruíram sobre tudo o que o
destino decretara a respeito do rei Cronos e de seu filho de
coração violento.

Em seguida, enviaram-na a Lictos, na grande Creta, no dia em
que devia parir o último de seus filhos, o grande Zeus. E
foi a enorme Gaia que lhe recebeu o filho para o nutrir e
dele cuidar na vasta Creta. Levando-o portanto protegidos
pelas sombras da noite rápida, ela atingiu as primeiras
alturas do Dictos e, com suas mãos, ocultou-o em um antro
inacessível nas profundezas secretas da terra divina, nas
encostas do monte Egeon, recoberto de espessas florestas.

Artista

Arte da Ática

Data

-475- 450 a.C.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

43,6 x 45,9 cm

Técnica

Cerâmica

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

10Cron - Saturno Cronos; 11Reia - Reia

Autor

Luiz Marques

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