Deificação de Homero

Registro inventarial: inv. 2191

Este relevo marmóreo foi encontrado por volta de 1650 em
Frattochie, antiga Bovillae, na via Appia, a 15 kms de Roma,
no sítio do Palácio do Imperador Claudio, grande admirador
de Homero. Ele se conservava no Palazzo Colonna em Roma, até
se adquirido pelo British Museum em 1819.

A obra é assinada na parte superior do relevo por
Arkelaos de Triene, filho de Apolônio. Euterpe, a Musa da
poesia lírica com a dupla flauta, aponta para a inscrição.

Trata-se possivelmente de um ex voto de Ptolomeu IV
Filipatros (221-203 a.C.), fundador de um templo em honra de
Homero. Foi sugerido, em reforço dessa hipótese, que o
monarca se faça representar na figura de Cronos junto com
sua esposa, Arsinoé, na figura de Oikoumene. Elderkin (1936)
propõe, alternativamente, que Arkelaos de Triene tenha
executado este relevo para um cliente anônimo de sua nativa
Cária, que talvez o destinasse ao templo de Homero em
Esmirna.

A deificação é descrita em quatro registros sobre as
encostas do Parnaso e a identificação das figuras é possível
graças a inscrições. Na base, em um espaço revestido por um
cortinado, vê-se Homero sentado sobre um trono e coroado por
Cronos e Oikoumene (Ecúmeno), como a designar a perenidade e
ubiquidade da fama do poeta.

A seus pés, sentam-se duas figuras femininas, a Ilíada e a
Odisseia. Diante dele, um grupo de figuras oferece-lhe um
sacrifício e homenagens. À esquerda e à direita do altar
encontram-se Mithos e História, que lhe preparam um
sacrifício. Mais adiante, aclamam-no a Poesia Épica, a
Tragédia e a Comédia. Na extrema direita, estão as figuras
da Natureza, da Virtude, da Memória, da Fé e da Sabedoria.

Acima, Apolo Musageta, em vestes femininas, com o
plectrum, a cítara e o omphalos, senta-se na
caverna Coríciana, tal como o indicam o relevo côncavo e a
entrada da caverna. O deus preside as nove Musas, nomeadas
uma a uma por inscrições. Na outra extremidade, ergue-se uma
estátua de Homero.

No topo, Zeus, pai das Musas com Mnemôsine, é visto
recostado, com a cabeça voltada para a direita, segurando
sua lança, como a dar seu assentimento à deificação.

A cena se passa, segundo Elderkin (1936), no Teatro de
Delfos e seu modelo seria uma pintura de Atenas transmitindo
elementos da escultura de Polignoto (ativo entre 470 e 440
a.C. circa). O cortinado e os gestos de aclamação seriam
apropriados à ambientação da cena em um teatro.

Luiz Marques
26/12/2011

Bibliografia:
1821 – Synopsis of the Contents of the British Museum,
Londres, 18ª edição, p. 84.
1891 – L. Fagan, An easy walk through the British Museum.
Londres, p. 16.
1936 – G. W. Elderkin, “The Deification of Homer by
Archelaos”. The American Journal of Archaelogy, 40, 4,
outubro-dezembro, pp. 496-500.
1985 – V.A., Democracy and Classical Culture. Catálogo da
exposição, Atenas, Museu Arqueológico Nacional, p. 80.

Artista

Arkelaos de Triene

Data

-220c. / 203 a.C.

Local

Londres, British Museum

Medidas

115 x 82 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

431 - Apoteoses de Imperadores, heróis e poetas; 1118 -
Literatos Antigos; 1118Home - Homero; 1111K - Glória e
apoteose do artista

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *