Desembarque da Princesa Leopoldina, 1817


A solene cena do Desembarque da Princesa Leopoldina foi representada por Jean-Baptiste Debret (1768-1848) por meio da gravura, da aquarela e da pintura. Recém-chegado ao Brasil com outros artistas franceses, Debret procurou captar em diferentes suportes artísticos os principais eventos da política portuguesa e suas alianças européias.

A arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo (1797-1826), filha de Francisco I da Áustria, desembarcou no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1817, para aqui habitar ao lado do marido, D. Pedro I, cujo casamento já havia sido oficializado na Europa.

A cena fora representada em uma tela de pequenas dimensões realizada por Debret, hoje conservada no Museu Nacional de Belas Artes, e posteriormente gravada por Charles Simon Pradier. Na aquarela, Debret produziu uma versão ampliada com grande destaque para a paisagem.

Debret caracteriza o local representando, ao fundo, as montanhas de Tijuca e, acima, o Convento de São Bento, rodeado por uma fileira de palmeiras que confere à cena sua tropicalidade, com janelas e balcões decorados com tapeçarias de seda, segundo nos descreve Debret em seu álbum iconográfico Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil.

Relata aí também as decorações efêmeras realizadas por artistas franceses e portugueses, como pinturas e arcos de triunfo. Há um grande número de pessoas e carruagens, assim como a cavalaria e um grupo de oficiais de estado-maior que também estão a postos. À direita, um navio ocupa a cena Repleto de oficias que acenam, e, abaixo, vemos as pequenas embarcações do primeiro plano, equilibrando a composição.

Há ainda, segundo o pintor, uma balaustrada coberta de tapeçarias que “”esconde do olhar as irregularidades das pedras nas imediações do ponto de desembarque””. No arco de triunfo em “”estilo português”” há, “”do lado do mar, na sua face principal, o escudo do novo Reino Unido [de Portugal, Brasil e Algarves], do qual pendem guirlandas ligadas aos pilares maciços em desarmonia com as quatro colunas frágeis que suportam o resto deste monumento fantasista […]; a outra face é enfeitada por duas figuras alegóricas pintadas de cinzento, e pequenos troféus de marinha ornam os lados exteriores da abóbada.

Todos os suportes e balaustradas estão pintados de azul e branco, e a parte superior de vermelho e amarelo; essa estranha ornamentação se explica pela união das cores portuguesas, empregadas pelos engenheiros com a ingenuidade da infância da arte””.

Elaine Dias
21/04/2011

Bibliografia
DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. São Paulo, Livraria Martins, 1940, p.587.

Artista

DEBRET, Jean-Baptiste

Data

1817

Local

Rio de Janeiro, Museu Castro Maia

Medidas

27 x 36 cm

Técnica

Água-forte

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

880 - Brasil Colônia; 880.1817 - Desembarque de Leopoldina no Rio de Janeiro; 869 - Entradas, Cortejos, Triunfos e Coroações na Idade Moderna e Contemporânea; 869leop - Leopoldina

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *