Efeito matinal

“As primeiras pinturas a óleo que conhecemos de autoria de
Eliseu Visconti (1866-1944) são paisagens do Rio de Janeiro,
sendo a mais antiga delas, datada de 1887, um recanto do
Morro de São Bento.

Visconti jamais deixou de pintar paisagens, sempre ao ar
livre, repletas de flores e da presença humana Retratando,
principalmente, os arredores de suas residências e ateliês. Seus temas mais comuns são quintais e jardins, dando mais
atenção aos morros que às praias. Os locais mais
representados são o Jardim do Luxemburgo e o vilarejo de
Saint Hubert (onde morou com a família em tempos de Primeira
Guerra Mundial), em Paris; Copacabana, no Rio; e
Teresópolis, onde edificou uma casa de veraneio, em 1927.

Em Efeito matinal, o portão azul da casa de campo,
registrado com destaque em várias das paisagens de
Teresópolis, parece apenas um ponto de referência, perdido
na imensidão das flores vermelhas do jardim do pintor, no
primeiro plano, e da vegetação mais densa do plano médio,
logo atrás dele, seguida pela massa acinzentada do morro, ao
fundo.

Além disso, pode-se ver apenas parte da cerca, que
delimitava a propriedade com a Av. Delfim Moreira, surgindo
entre as folhagens. Totalmente inabitada, como é raro nas
paisagens viscontianas, parece recriar num mundo onírico, o
paraíso da velhice do pintor brasileiro – assim como foi
para Claude Monet (1840-1926) o seu jardim em Giverny.

A pintura participou da exposição Retrospectiva de Visconti,
em novembro de 1949, no Museu Nacional de Belas Artes, sob o
nº 223, quando pertencia à viúva do artista; e pôde ser
identificada através da pequena etiqueta de bordas vermelhas
com a numeração manuscrita, encontrada no verso da tela,
correspondente ao seu registro no catálogo dessa exposição.

Embora não datada, essa paisagem foi considerada uma das
últimas pinturas de Visconti, de acordo com a sua colocação
no catálogo da mostra, que se organizou cronologicamente.

Mário Pedrosa escreve sobre ela na ocasião: “”… com os
primeiros planos em pleno sol, os verdes embranquecem, como
se desmanchando em contraste com os tons vermelhos
vicejantes aos bafêjos da plena luz. Felizmente, a luz
desmedida exterior, inimiga dos verdes, não se eleva de tela
acima. Êsses primeiros planos são um levantar de cortina
para o dia que amanhece. É extraordinária a sensação de
prazer que dá então aos olhos, quando, saindo da luz
intensa, mergulham na profundeza dos verdes e azuis da
encosta. Êstes, por sua vez, sobem de plano em plano,
tonalmente marcado, até as camadas superiores do céu, nesga
no alto””.

A coleção de arte do Banerj, à qual a pintura Efeito matinal
pertencia, começou a ser formada nos anos 60 em função das
comemorações do IV Centenário do Rio de Janeiro, evento que
determinou o perfil das primeiras obras adquiridas. Em 1998
foi firmado um convênio entre o Governo do Estado do Rio de
Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura, e o
“”Banerj em Liquidação Extrajudicial””, pelo qual o Museu do
Ingá (MHAERJ) recebeu a guarda do acervo artístico do antigo
Banco do Estado do Rio de Janeiro.

Mirian N. Seraphim
14/01/2012

Bibliografia:
1949 – Exposição Retrospectiva de Elyseu D’Angelo Visconti.
Catálogo de exposição. Rio de Janeiro. Museu Nacional de
Belas Artes e Ministério de Educação e Saúde.
1950 – M. Pedrosa, Visconti diante das modernas gerações.
Correio da Manhã (Artes Plásticas), Rio de Janeiro, 1º jan.
(Suplemento de Literatura e Arte), pp. 6 e 10.
2010 – M. N. Seraphim, A catalogação das pinturas a óleo de
Eliseu d’Angelo Visconti: o estado da questão. Tese de
Doutorado. Campinas: IFCH Unicamp.”

Artista

VISCONTI, Eliseu d´Angelo

Data

1940c.

Local

Rio de Janeiro, Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro / do Ingá

Medidas

60 x 45 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1600 - Paisagem

Autor

Luiz Marques

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