Erminia e Valfrino deparam com Tancredi ferido (detalhe)

(continuação do comentário à imagem principal)

A biografia de Luciano Borzone escrita por Soprani [1674] é
abundante em obras e informações sobre a vida do pintor.
Borzone tem origem não abastada e é cedo encaminhado ao
estudo das letras, da retórica e da poesia. Inicia sua
instrução em pintura junto ao tio paterno, Filippo
Bertolotto, retratista.

Seus progressos são notados por Alberigo, Duque de Massa,
que o toma sob sua proteção e o encaminha ao ateliê de
Cesare Corte (1550-1613), onde perfaz as etapas habituais do
ensino artístico. Não obstante uma continuada atividade como
poeta e intérprete de tiorba (uma variante do alaúde), sob a
orientação de seu sogro, Girolamo Merello, é como pintor
que, doravante, Luciano se afirma.

Sua habilidade como retratista e miniaturista é manifesta e
o duque Gio Carlo Doria lhe adquire e encomenda algumas
obras sacras e alegóricas. Acompanhando o duque a Milão, por
volta de 1615, na qualidade de consultor artístico, não
somente encontra aí ocasião para diversas comissões, mas
estreita contatos com Cerano e G.C. Procaccini, que lhe
trazem molti bei lumi (Soprani), fundamentais para o destino
de sua poética.

Reconhecido como uno de´ più degni Pittori della nostra
città
(Ratti), Luciano está no ápice de sua carreira
quando lhe sobrevém um acidente mortal, uma queda do alto do
andaime sobre o altar da igreja SS. Annunziata del Guastato,
onde pintava uma grande Adoração dos Pastores.

Os estudos sobre Borzone enfatizam as influências exercidas,
em Gênova, pelos pintores da Reforma borromaica, sobretudo
Cerano e G.C. Procaccini. Como Strozzi (1580 1644), Ansaldo
(1584 1638), Fiasella (1589 1669), Gian Andrea De Ferrari
(1598c. 1669) e Assereto (1600 1649), Borzone é um típico
representante da geração dos amici dei milanesi, tal como a
batizou Longhi, em 1926:

Il Borzone e l´Ansaldo sono di fatti insieme con lo
Strozzi dei primi anni, quali che siano le interpretazioni
dei moderni, gli ´amici dei milanesi´, intendendo con essi i
Procaccini, il Cerano e il Morazzone. Costoro sono a loro
volta i portatori del piu` spirituale maneirismo che abbia
avuto l´Italia in quei tempi, dopo il Rosso, e il
Parmigianino e il Primaticcio
.

A obra do MNBA situa-se no decênio final da atividade do
pintor. Observe-se a ausência de reminiscências maneiristas,
o naturalismo bem assimilado e o parentesco estilístico com
obras seguramente tardas: a “Venda da Primogenitura”, New
York, Newhouse Galleries, “Belisario Cego”, Chatsworth,
coleção Devonshire, “Job escarnecido”, Gênova, coleção
privada, o “Martírio de Santa Barbara”, de 1643, bem como o
“Milagre de Santo Antônio”, de Rapallo, de composição,
embora invertida, muito similar ao nosso quadro.

Luiz Marques
15/11/2011

Bibliografia:
1920 – E. Rouches, “L´interprétation du “Roland Furieux” et
de la ´Jérusalem délivrée´ dans les Arts Plastiques”. Etudes
Italiennes, pp. 129 140 e pp. 193 212.
1926 – R. Longhi, “L´Assereto”. Opere Complete, vol II:
Saggi e Ricerche (1925 1928). Florença: Sansoni, 1967, pp.
35-47
1948 – E.K. Waterhouse, Tasso and the Visual Arts. Italian
Studies, III, pp. 146 168.
1954 – E. Panofsky Galileo as a critic of the arts. Trad.
ital., Veneza: Cluva 1985.
1956 – A. Pigler, Barockthemen. Eine Auswahl von
Verzeichnissen zur Ikonographie des 17. und 18 Jahrhunderts.
Budapest, 1974, p. 473.
1961 – W.R. Lee, “Armida´s Abondonment. A Study in Tasso
Iconography before 1700″. In, Essays in Honor of Erwin
Panofsky. 2 vol. New York, pp. 335 349.
1966 – S.E. Ostrow, Agostino Carracci. 5 volumes, vol. IV,
cat. 45 e 45A, p. 545. Tese, New York University.
1967 W.R. Lee, “Mola and Tasso”. Studies in Renaissance
and Baroque Art presented to A. Blunt. Londres New York, pp.
136 141.
1969 – C. Manzitti, “Riscoperta di Luciano Borzone”.
Commentari, XX, 3, pp. 210 222.
1971 C. Manzitti, “Influenze caravaggesche a Genova e
nuovi ritrovamenti su Luciano Borzone”. Paragone, 259, pp.
31 42.
1973 – G.C. Argan, “Le Arti figurative nel tardo
Rinascimento e nel primo Barocco e la poesia del Tasso”. In,
Immagine e Persuasione. Saggi sul Barocco, Milão, 1986, pp.
10 18.
1978 – F.R. Pesenti, “Luciano Borzone, una complessa
personalità artistica del Seicento”. La Casana, XX, 3, pp.
35 41.
1985 – A. Buzzoni (org.), Torquato Tasso tra Letteratura
Musica Teatro e arti figurative. Catálogo da exposição,
Ferrara, Castello Estense. Bologna
1985 – W.R. Shea, “Panofsky revisited: Galileo as a Critic
of the Arts”. In, Renaissance Studies in Honour of Craig
Hugh Smyth, 2 vol., Florença, pp. 481 492.

Artista

BORZONE, Luciano

Data

1635/ 1645

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

118 x 143 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

1000 - Literatos e suas obras; 1000Tass - Torquato Tasso;
1000TaTa - Erminia e Valfrino deparam com Tancredi ferido

Autor

Luiz Marques

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