Escravo agonizante

O título Escravo agonizante não é antigo e surge apenas com a obra de H. Grimm, Leben Michelangelos, de 1860. Ao lado do Escravo rebelde, a estátua destinava-se ao sepulcro de Júlio II segundo o primeiro projeto, concebido em 1505 e assim descrito por Giorgio Vasari (1550):

Para que mostrasse maior grandeza quis que [o sepulcro] ficasse isolado, de modo que se pudesse vê-lo dos quatro lados, que mediam dozes braças por dezoito, na proporção de um quadrado e meio. Tinha uma ordem de nichos exteriores que o percorria inteiramente, nos quais se entremeavam hermas vestidas da cintura para cima, cujas cabeças sustentavam a primeira cornija e cada figura com estranha e bizarra atitude mantinha amarrado um prisioneiro nu, que pousava os pés na saliência de uma base. Estes prisioneiros eram todas as províncias subjugadas pelo pontífice e reduzidas à obediência da Igreja apostólica

O caráter marcial destas figuras é, portanto, indubitável, como ainda o comprova um desenho preparatório de Michelangelo, conservado no Ashmolean Museum de Oxford.

As duas estátuas acabam não se integrando no sepulcro de Júlio II em S. Pietro in Vincoli e são dadas pelo artista a Roberto Strozzi, como homenagem de gratidão por tê-lo acolhido e tratado em sua casa quando de uma grave enfermidade. Elas rumam em 1550 para o Château d`Écouen.

Laux [1943:43] apontou semelhanças entre esse Escravo e o Nióbida agonizante da Glyptothek de Munique, que Michelangelo terá conhecido em inícios do século XVI no palácio Maffei, invertendo-lhe a posição dos braços. Do ponto de vista formal e tipológico, outros modelos antigos para os Escravos foram sugeridos, dentre os quais a figura do filho mais jovem no grupo do Laocoonte*.

No Escravo agonizante há uma tensão, talvez jamais igualada em Michelangelo, entre o peso da figura prestes a desfalecer e seu perfil ascensional e esguio, entre sua natureza colunar, dependente da arquitetura, e sua liberdade de movimentos. Nunca, como aqui, a escultura de Michelangelo tende tanto para a pintura e não por acaso sublinhou-se a proximidade estilística desta escultura com as figuras da abóbada da Capela Sistina (1508-1512).

Luiz Marques
26/05/2010

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1511/ 1516 c.

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

229 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

416 - Triunfos; 416A - Escravos em contextos de Triunfos

Autor

Luiz Marques

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