Estela de Arístion

Registro inventarial: inv. 29

Encontrada em 1839 em Velanideza, nas vizinhanças de Atenas,
esta estela, fragmentária na parte superior, representa um
hoplita (soldado da infantaria ateniense) de nome Arístion,
tal como se lê na base, com a desinência genitiva.

Traços do que foi uma exuberante policromia podem ainda ser
vistos no cabelo, que cobre a testa e a nuca em espirais, na
barba, no rosto e na armadura. Tentativas de reconstrução
integral das cores foram propostas desde 1849 por L. Fenger,
Alexandre Conze e, recentemente, por Vinzenz Brinkmann
(2004).

Os olhos são representados frontalmente sobre a cabeça em
perfil, protegida por um elmo, sem crista, outrora azul.
Armado com uma lança, uma armadura de couro que lhe cobre o
torso e a cintura, prolongando-se em pteryges, tiras
de couro, outrora ricamente decoradas, que compõem a franja
inferior. Sobre o ombro, estava pintada uma estrela de 16
pontas, ainda visível sob luz rasante, e sobre o peitoral,
na altura do mamilo, a cabeça de um leão.

Tendo as pernas protegidas por caneleiras, Arístion veste um
chiton muito leve que lhe desce até as coxas. O
grafismo sutil de seu vestuário deixa transparecer e mesmo
realça a nobreza do porte e a imensa desenvoltura óssea e
muscular que percorre o corpo, do pescoço ao tornozelo.

O braço e a mão fechada colam-se ao corpo, reforçando o
aspecto colunar do baixo-relevo, que permanece rente ao
fundo (outrora ocre), sem nada perder de sua vida. A barba
era originariamente pontiaguda, como se pode perceber
claramente pela marca deixada no plano de fundo.

Não é talvez arbitrário dizer que com este hoplita atinge-se
o ponto mais alto de rigor, controle formal e vivacidade da
escultura ática arcaica, no momento imediatamente anterior à
inflexão mais ou menos abrupta que a conduziria ao estilo
severo do segundo quarto do século V.

Didier Viviers (1992) cogita que o defunto homenageado nesta
estela, embora vestido como um soldado, seja, na realidade,
o escultor Arístion de Paros, conhecido por ter assinado a
Koré Phrasikleia*, também no Museu Arqueológico
Nacional de Atenas.

Veja-se: http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3598

Na frisa da base, lê-se “ergon Aristokleous”, obra de
Arístocles. Baseando-se em testemunhos epigráficos e
literários, além de um pequeno grupo de obras conservadas,
Didier Viviers (1992) sugere que Arístocles liderava, na
direta tradição de Filergos e Êndoios, possivelmente seu
mestre, o mais significativo ateliê de escultores de Atenas
em finais do século VI e inícios do século V a.C., herdeiro
que é da tradição jônica de seus antecessores, que ele
inova, em especial no que se refere à escultura funerária.

Os três escultores participam, ademais, ativamente na vida
política da pólis, sob os Psístratos e a estela de Arístion
é possivelmente uma obra tardia de Arístocles.

Luiz Marques
24/06/2011

Bibliografia:
1992 – D. Viviers, Recherches sur les ateliers de sculpteurs
et la cité d´Athènes à l´époque archaique: Endoios,
Philergos, Aristoklès. Introdução de J. Marcadé. Gembloux:
Académie Royale des Belgique.
1994 – J. Burnett Grossman, Resenha de D. Viviers,
Recherches sur les ateliers de sculpteurs et la cité
d´Athènes à l´époque archaique: Endoios, Philergos,
Aristoklès. Gembloux, 1992. American Journal of Archaelogy,
98, 4, pp. 786-787.
1995 – M. Stieber, Resenha de D. Viviers, Recherches sur les
ateliers de sculpteurs et la cité d´Athènes à l´époque
archaique: Endoios, Philergos, Aristoklès. Gembloux, 1992.
The Classical Journal, 90, 3, pp. 326-327.
2002 – N. Kaltsas, Sculpture in the National Archaelogical
Museum, Athens. Los Angeles: The J. Paul Getty Museum, p. 35
2004 – V. Brinkmann, “La tomba di Ariston”. I colori del
marmo. Policromia nella scultura antica. Catálogo da
exposição. Roma: De Luca, pp. 87-90

Artista

Arístocles

Data

-510c. a.C.

Local

Atenas, Museu Arqueológico Nacional

Medidas

202 cm; base 24 cm

Técnica

Mármore pentélico

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

132 - Koúroi, Hoplitas, Efebos e Atletas; 430 - Iconografia
funerária antiga; 434 - Estelas

Autor

Luiz Marques

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