Figura alada com archote

Como bem nota Luciano Migliaccio, as duas figuras do escultor espanhol, Bartolomé Ordoñez (1480c. – 1520), postas de cada lado do arco triunfal que dá ingresso à Capela Caracciolo na igreja de S. Giovanni a Carbonara em Nápoles, não devem ser consideradas como anjos, mas como figuras aladas, que mantêm todo o poder de evocação das alegorias das Vitórias colocadas nos arcos triunfais.

Luciano Migliaccio situa esta capela e seu programa iconográfico no âmbito do mais íntegro espírito antiquário do humanismo e da arte da Nápoles de finais do século XV e inícios do século XVI:

“A igreja agostiniana de San Giovanni a Carbonara, em Nápoles, conserva alguns dos testemunhos mais eloquentes da história da cidade, sendo possível considerá-la, como já bem o dizia Chiarini, um erudito do século XIX, um Pantheon, um monumento às virtudes civis dos grandes homens do passado, mais que um edifício religioso”. (…)

“Talvez por este seu caráter de um memorial consagrado aos homens ilustres, o convento foi certamente um dos lugares mais caros a Giovanni Pontano (1429-1503) e a seus discípulos da Academia Pontaniana. Em seu claustro, ambienta-se o Aegidius, o diálogo de Pontano, documento de sua amizade com Egidio da Viterbo, que marca uma inflexão em sentido religioso do pensamento do humanista”. (…)

“Aqui se encontra a capela Caracciolo di Vico, documento das relações entre os ideais dos pontanianos e o ambiente artístico napolitano e romano nos anos que se seguiram à morte de Pontano, entre a redação definitiva do De Partu Virginis de Jacopo Sannazzaro e a carta de 1524 de Pietro Summonte a Marcantonio Michiel sobre a história da arte em Nápoles”. (…)

“À esquerda do altar-mor da igreja, abre-se um vão em arco, posto obliquamente em relação ao transepto, enquadrado por um frontispício marmóreo de ordem dórica pelo qual se passa a um espaço circular. Nos cantos, ao lado do arco, duas figuras aladas com archotes indicam o significado triunfal e funerário do edifício”. (…)

“Sobre a parede esquerda do arco, uma elegante inscrição que nos informa sobre o comitente, Galeazzo Caracciolo, senhor de Vico, fornece também a data de dedicatória da capela, 7 de janeiro de 1516, e caracteriza enfim a obra como uma oferenda votiva à Virgem Maria, diva averrunca, divindade que desvia o mal”.

Bibliografia
2008 – L. Migliaccio, “A Cappella Caracciolo di Vico: o ideal pontaniano da magnificência e as artes no início do século XVI entre Roma, Nápoles e a Espanha. In, L. Marques (org.), A Fábrica do Antigo, Editora da Unicamp, pp. 241-254

Artista

ORDOÑEZ, Bartolomé

Data

1515/ 1516

Local

Nápoles, S. Giovanni a Carbonara

Medidas

desconhecidas

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

11Nike - Nikés e Vitórias; 724 - Anjos; 725 - Anjos tocheiros; 726 - Putti, gênios, anjinhos e outras figuras infantis ou juvenis aladas

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *