Hércules e Anteus

Registro inventarial: inv. 1890

Segundo as diversas fontes desse mito – entre as quais,
destacam-se Píndaro, Pausânias, Ovídio e Lucano – Anteus é
um gigante, filho de Poseidon (Netuno) e de Gaia. De sua
mãe, ele recebe uma força invencível a partir do contato de
seus pés com a terra. Estabelecido na Líbia, ele obrigava os
viajantes a lutar com ele, matava-os e usava seus crânios
para construir ou adornar o templo consagrado a seu pai.

Hércules mata-o quebrando seus ossos com um abraço que o
suspende da terra, de modo a desconectá-lo da força materna
que o tornava invulnerável.

Os dois quadrinhos de Antonio Pollaiuolo (1432c.-1498) com
os Trabalhos de Hércules, vale dizer, este Hércules e
Anteus
e o Hércules e a Hidra* (17 x 12 cm),
ambos na Galleria degli Uffizi (inv. 1890 e 1478), devem
estar relacionados – possivelmente como retomadas tardias –
aos três grandes Trabalhos de Hércules pintados por
Pollaiuolo em 1460 para Piero il Gottoso e destinados à Sala
Grande do Palácio de Via Larga.

Com a expulsão dos Medici em 1494, estas obras foram
expropriadas pela República em 1495 e depois perdidas, mas
do Hércules e a Hidra se conserva uma gravura de
Robetta e um desenho autógrafo, no British Museum.

Cecchi, in Vaccari [2001], data ambas as tavolette de
1470c., em concomitância, portanto, com a provável data do
relevo de Hércules e a Hidra sobre a couraça do retrato-
busto (Jacopo Bracciolini?) em terracota de Jovem em
armadura, do Museo Nazionale del Bargello (50 cm., inv. 166
M), conhecido apenas desde o século XIX e copiado por Van
Gogh.

Trata-se de um tema muito apreciado na arte greco-romana e
dos séculos XV e XVI e o próprio Pollaiuolo a ele retorna em
seu bronzetto do Museo Nazionale del Bargello, inv.
280B. Também Michelangelo, segundo Vasari, ofertou ao
escultor Leone Leoni “um modelo de cera de um Hércules que
esmaga Anteus, de sua mão”. A obra não se conservou. A
terracota da Casa Buonarroti, inv. 192, pode ser considerada
um modelo para um Hércules e Anteus, embora seja mais
provavelmente um modelo para uma Vitória ou para um Hércules
e Caco.

Já Leon Battista Alberti, no De statua, 5
(1450/1455), toma o mito como exemplo para admitir os
limites de seu método de esculpir através da mensuração das
grandezas superficiais do corpo:

“Não afirmo, entretanto, poder-se imitar ou atingir
profundamente, com tal procedimento, todas as similitudes e
dissimilitudes dos corpos. Declaro que com o que
prescrevemos em nosso procedimento ou engenho não se pode
expor como exprimirás, de modo absolutamente semelhante ao
verdadeiro, o rosto, em todos os seus detalhes, de Hércules
quando mantém Anteus suspenso, ou por quais modos difira
este do mesmo rosto de Hércules, pacato, ao sorrir para
Dejanira”.

Luiz Marques
08/01/2011

Bibliografia:
1972 – L.D. Ettlinger, “Hercules Florentinus”.
Mitteilungen des kunsthistorischen Institut in Florenz, XVI,
2, 119 p. 42.
1978 – L.D. Ettlinger, Antonio and Piero Pollaiuolo.
Complete edition with a Critical Catalogue. Londres: Phaidon
2001 – – M. G. Vaccari, Pollaiolo e Verrocchio? Due ritratti
fiorentini del Quattrocento, Florença, pp. 53-57.

Artista

POLLAIUOLO ou POLLAIOLO, Antonio

Data

1470c.

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

16 x 10,5 cm

Técnica

Têmpera sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

70 - Hércules e seu ciclo; 70F - Hércules mata Anteus e Caco

Autor

Luiz Marques

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