Independência ou Morte!

O quadro de Pedro Américo representando D. Pedro I desembainhando a espada no alto do Ipiranga no dia 7 de Setembro de 1822 é uma das imagens mais populares criadas a partir de episódios da história do Brasil.

A familiaridade que adquirimos com essa imagem deu-lhe estatuto de “verdade”. Diante dessa representação, temos a impressão de testemunhar o evento histórico, tal como ele ocorreu e o aceitamos naturalmente como o “marco zero” da fundação da Nação. Sua capacidade de persuasão é tal, que deixamos de vê-lo como fruto da imaginação de um artista.

De fato, em anos recentes, pesquisadores da história do Brasil têm demonstrado que foram necessárias muitas décadas para que o próprio episódio do “Grito do Ipiranga”, representado no quadro de Pedro Américo, adquirisse o status que possui no contexto das narrativas sobre a Independência.

Durante muito tempo, não houve consenso, nem quanto à data do evento, nem sobre o episódio que deveria simbolizar a ruptura com Portugal. À época, era fundamental para as elites vinculadas ao governo, garantir a continuidade das instituições representadas pelo Príncipe, evitando que o processo de independência se transformasse em uma revolução popular. Assim, nos primeiros anos após a Independência, são as datas que reafirmavam a monarquia Bragança, como a Aclamação e a Coroação de D. Pedro I, que são postas em evidência. Entre 1822 e 1825 o Sete de Setembro nunca é mencionado.

Em 1826, no entanto, após a publicação pela imprensa do Rio de Janeiro do testemunho ocular do Padre Belchior Pinheiro Ferreira, em cuja narrativa o Sete de Setembro ganhava grande destaque, a nova data passou a ser considerada como relevante para a história nacional, sendo oficialmente incorporada ao calendário de festividades da Independência e ganhando popularidade ao longo do século XIX. Este mesmo relato servirá de base para a elaboração do quadro de Pedro Américo, muitos anos depois.

Durante as primeiras décadas do Império, a produção iconográfica referente à Nação seguiu o modelo das casas reais europeias, iniciado por Luiz XIV na França. Uma nova lógica da imagem, no entanto, passaria a sustentar a produção pictórica ligada ao Estado a partir dos anos 1870.

A mudança foi impulsionada pelo evento da Guerra do Paraguai. Ao longo dos anos que marcaram o conflito, os grandes feitos dos heróis de guerra passaram a substituir a figura do imperador como substrato para a elaboração de um imaginário nacional e a ação heróica tornou-se o tema por excelência da pintura

Artista

Pedro Américo de Figueiredo e Melo

Data

1885

Local

São Paulo, Museu Paulista da USP

Medidas

720 x 415 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

878 - A Independência das Colônias Séculos XVIII-XX; 878.1822 - Brasil

Autor

Luiz Marques

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