La anunciación.

Contrariamente a tradição de outros países hispano falantes de América latina como é o caso do México, a morte não é uma temática reiterada na tradição pictórica cubana, mais próxima neste sentido, a iconografia Caribenha ligada a uma imaginaria de celebração da vida com fortes raízes na cultura e religiões de origem africana.
“La anunciação” da pintora e gravurista cubana Antonia Eiréz é sem lugar a duvidas, o referente mais importante da representação da morte nas artes plásticas da Ilha em geral. A obra apresenta não entanto uma das caraterísticas distintivas da arte cubana a partir de nome dado pela artista a obra, num jogo irônico com a tradição pictórica religiosa europeia a partir da passagem bíblica da anunciação do nascimento de Jesus a Maria a través de um anjo, e as diferentes interpretações feitas a través da história pelos mais diversos artistas, e particularmente sua reiteração no Renascimento. O humor mordaz da obra construída numa estética expressionista, apresenta desta vez no lugar do anjo da anunciação a terrorífica encarnação da morte por meio de uma figura esquelética coroada que voa em pós de uma mulher que tem sido pega de surpresa frente a sua máquina de coser. A palidez e a clara expressão de terror da figura reforçam o ar macabro da nefasta noticia do fim da vida. A obra apela a distintos recursos colocando num dialogo elementos sutis que põem de manifesto sua contemporaneidade e a formação da artista a par de seu período histórico. A obra pode ser interpretada como uma alusão a obra de Marcel Duchamp “encontro fortuito entre uma máquia de coser e um paraguás” as distintas anunciações do Renascimento italiano onde a noticia do nascimento de Jesus e acompanhada de elementos alusivos ao futuro sacrifício e a morte, tal como a solução pictórica, a expressão conturbada e o horror contido no rosto e no rictos construído por fortes pinceladas, pode ser ligado ao expressionismo alemã.
A artista não se detém nos detalhes, o vermelho da máquina elemento melhor definido da cena funciona como um detonador da violência e do drama que protagonizam as figuras. A figura da morte tem sido desenhada a carvão delimitada em preto solto e transparente que reafirma a sensação no espectador do ar fantasmal e etéreo da aparição. Predominam três cores na composição: preto, azul e vermelho que relegam a segundo lugar o amarelo e o marrom do vestido e da cadeira onde a mulher enfrenta sua morte.

Monica Villares Ferrer, Mestre em História da Arte
16/05/2010.

Artista

Eiríz, Antonia

Data

1962

Local

Havana, Museo de Bellas Artes

Medidas

190,5 x 243 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1188 - A Morte

Autor

Luiz Marques

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