La Fornarina

Registro inventarial: inv. 2333

Considerada o retrato da mulher amada por Rafael (1483-1520), esta pintura constitui um dos mitos da história da arte. A retratada seria Margherita, filha de um padeiro sienense de nome Benedetto, ou de Francesco Luti da Siena.
O nome “Fornarina”, de origem incerta, viria de uma acepção setecentista para “amante” ou, mais provável, do fato de Margherita ser filha de um padeiro (fornaio).

Vasari fala da figura como sendo a mulher: la quale Raffaello amò sino alla morte, e di quella fece un ritratto bellissimo, che pareva viva viva….

A identificação da Fornarina com a “innamorata” de Rafael [Scanelli, 1657] permanecerá pelos séculos seguintes. No século XIX, o mito ganha mais força e novos acentos em reconstruções pseudo-históricas da figura da musa-amante de Rafael de grande fôlego. A extensa bibliografia sobre a relação desse par é o maior testemunho do desenvolvimento do mito nesse período.

Para Arasse [1990:19], a figura poderia ser uma interpretação de Vênus num rosto cuja beleza ordinária seria a do ideal turbado pela particularização, o que justamente a aproxima do retrato. O realismo da face somado à idealização do colo e do busto geraria uma modulação específica da ideia rafaelesca da beleza feminina.

De todo modo, a temática amorosa comanda o tom da obra e pode ser vista na folhagem de mirto ao fundo (atributo venusiano), na postura da retratada, que retoma a de uma Vênus seminua à meia-figura; na mão sobre o seio esquerdo em sinal de fidelidade; no bracelete em que o pintor assina seu nome como sobre um objeto que lhe pertence.

Apesar da pintura estar assinada, a questão da autoria foi longamente debatida e as mais variadas hipóteses sugeridas. No entanto, a maior parte dos estudiosos atribui a obra ao próprio Rafael com intervenções de seu ateliê (Venturi [1926], Gronau [1936], Pittaluga [1955] e Camesasca [1956], Arasse [1990], Oberhuber [1999]).

Dussler [1971] acredita que a invenção seja de Rafael e a execução de Giulio Romano (1499?-1546). E há quem exclua radicalmente essa pintura do Corpus de Rafael, como Hartt [1944] e Freedberg [1961]. Para Berenson [1932] e Gamba [1932], o retrato seria obra de Giulio Romano realizada após a morte do mestre.

A imagem é esmaltada e nítida, construída com contrastes e modulações de luz que acentuam sua plasticidade, afastando “a doçura íntima dos melhores retratos de Rafael, da Velata em particular” [Ferino-Pagden /Zancan, 1989].

Indubitavelmente,

Artista

Rafael (ateliê), também atribuído a Giulio Romano

Data

1518/ 1520

Local

Roma, Galleria Nazionale di Arte Antica Palazzo Barberini

Medidas

87 x 63 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *