Les cuisiniers dangereux

Ao contrário de Félicien Rops, que em Modernité*
(1880c.) celebra a superação e a morte do artista acadêmico,
James Ensor (1860-1949), seu compatriota, representa-se a si
próprio decapitado, em 1896, como vítima de seus
cuisiniers dangereux, de seus “cozinheiros
perigosos”, prestes a oferecerem sua cabeça em um banquete
de críticos, que vomitam sobre os pratos servidos.

Nas figuras dos cozinheiros que servem sua cabeça aos
críticos, Ensor retrata Picard e Maus, promotores dos Les
Vingt
, movimento de modernistas belgas aos quais Ensor
se associara em um primeiro momento.

Em um caso como em outro, como ainda no Art, Misère,
Désespoir, Folie!
* (1880), de Jules Blin, e em tantas
outras obras desses anos, afirma-se o mesmo trágico ou
tragicômico lugar-comum: a identidade física e artística do
artista colapsa em face de sua incapacidade de se fazer
reconhecer como tal pelo destinatário de sua obra.

Luiz Marques
23/11/2011

Bibliografia
2008 – L. Marques, “Taunay, superação e morte do artista”.
In, L. M. Schwarcz e E. Dias, Nicolas-Antoine Taunay no
Brasil. Uma leitura dos trópicos. Rio de Janeiro: Sextante
Artes, pp. 204-213
2009 – S.M. Canning, “James Ensor. Carnival of the Modern”,
in A. Swinbourne, James Ensor. Catálogo da exposição. New
York, Modern Museum of Art, pp. 28-4, p. 30.

Artista

ENSOR, James

Data

1896

Local

Coleção Particular

Medidas

38 x 46 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Alegorias e Temas Artísticos Morais e Psicológicos

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1111 - O Mundo e o Mito do Artista; 1111J - Agonia e morte do
artista, a morte como artista; 1700C3 - Artistas e
Autorretratos

Autor

Luiz Marques

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