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Nesse quadro Amoedo retratou uma figura feminina com uma expressão muito contrariada, que segura na mão direita uma carta que acaba de ser lida. A personagem foi pintada em um ambiente doméstico bastante refinado. O olhar do espectador é atraído tanto pela força da expressão de seu rosto quanto pela variedade de texturas e formas dos panejamentos.

O crítico Gonzaga Duque comentou o quadro em texto de 1909, publicado postumamente no livro “Os Contemporâneos”:

“Más Notícias, atestado das excepcionais qualidades do mestre, do seu vigor de pintar, da firmeza magistral do seu desenho, da limpeza de suas tintas e do poder expressivista da sua arte, porque essa bela mulher, senhora de lindas vestes e mais lindos olhos, umedecidos de lágrimas, diabolicamente negros, é um flagrante da alma feminina, um instantâneo maravilhoso do tormento de um coração que a carta, amarrotada nas suas garras de airosa dama senão de deusa contrariada, acaba de sangrar. Ao menos, temos mais essa sincera, poderosa e dominadora obra que o não distanciará da nossa época e ficará afirmando o soberano valor de um artista que, entre os seus pares, é um grande Mestre”.

Como nota o crítico de arte Tadeu Chiarelli, com retratos “o pintor vai notabilizar-se. Nessas suas pinturas saberá aliar à captação objetiva do real uma dose equilibrada de idealização, perceptível na ênfase à linearidade de suas composições, ao ajuste da cor, à supremacia do contorno, procedimentos que evidenciam o caráter plástico de suas obras”.

Na opinião de Luciano Migliaccio: ´aqui se descobre a extraordinária capacidade que a arte de Amoedo possui para estabelecer relações com a melhor literatura da época e não apenas brasileira: as diabólicas criaturas de Barbey D´Aurevilly, a Cidade do Vício de Fialho de Almeida e os poemas de Mallarmé encontrariam mais de uma linda ilustração entre seus quadros”.

Maria Antonia Couto da Silva
15/03/2011

Bibliografia:
1929 – Gonzaga Duque-Estrada. Os Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Benedicto de Souza, p. 18.
1999 – T. Chiarelli. Arte internacional brasileira. São Paulo: Lemos.
2001 – L. Migliaccio. “Rodolfo Amoedo. O mestre, deveríamos acrescentar”. In L. Marques (org.). 30 Mestres da Pintura no Brasil. São Paulo: MASP, Rio de Janeiro: MNBA, pp.311-316 (Catálogo de exposição).

Artista

AMOEDO, Rodolfo

Data

1895

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

100 x 74 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Maria Antonia Couto

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