Missorium, dito o Escudo de Aquiles

Registro inventarial: Département des Monnaies, médailles et antiques, inv. 56.344

Encontrada no rio Ródano em 1656 e adquirido em 1697 por Luís XIV, após passar pelas coleções De Mey e Peylata, esta enorme bandeja circular (missorium), pesando 10 kgs, é um dos maiores exemplares conservados da arte da prata na Antiguidade e um dos raros exemplos de arte tardo-romana encontrados na Gália.

Por sua importância histórica, suas qualidades formais e pela dificuldade de identificação do tema, a obra mereceu desde sempre a atenção dos antiquários, entre os quais se contam já nos séculos XVII e XVIII, Jacob Spon (1673), Montfaucon (1722) e Winckelmann.

Spon propôs que se reconheça aí uma cena da Continência de Cipião, retirada de Tito-Lívio (Ab Urbe condita, XXVI), a célebre passagem em que Cipião Emiliano Africano, tendo tomado Cartago, restitui uma jovem escrava a seu noivo.

A partir de Winckelmann (1766), tende-se a pensar que o relevo aluda na realidade ao episódio narrado no canto I da Ilíada (vv. 318-348), com a partida de Briseida, vista à esquerda, motivo da contenda entre Aquiles, sentado no trono, e Agamemnon, a figura barbada e com uma espada que o encara encolerizado. Pode-se também pensar que se trate de outro episódio da Ilíada, o da restituição de Briseida, narrada no canto IX, vv. 238-308.

Segundo Colonna, enfim, é possível que a cena não aluda a um passo preciso do poema homérico, mas evoque vários episódios da vida de Aquiles: a partida de Briseida, a embaixada de Fenix e a restituição da prisioneira, e ainda a morte do herói, na figura do guerreiro recostado.

A datação e a origem do ateliê do Missorium dito de Aquiles é particularmente difícil. Além portanto de um exemplo de intransponível ambiguidade iconográfica, a obra oferece também a ocasião de uma reflexão sobre a permanência do gosto pelas formas do período clássico em certas obras da Antiguidade tardia, no caso, provavelmente da cultura de Constantinopla com grande probabilidade entre finais do século IV e inícios do século V.

Luiz Marques
11/12/2010

Bibliografia
2008 – C. Colonna, Il Missorium detto “lo scudo di Achile”. In J.-J. Aillagon (coord.), Roma e i Barbari. Catálogo da exposição, Veneza, Palazzo Grassi, p. 78

Artista

Anônimo

Data

370/ 420c.

Local

Paris, Bibliothèque Nationale

Medidas

71 cm

Técnica

Prata

Suporte

Artes decorativas

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

ARTE GRECO-ROMANA

Index Iconografico

80 - Ilíada; 80aqui - Aquiles; 320.1 - A continência de Cipião Africano

Autor

Luiz Marques

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