Moema

Se comparada às de Meirelles e Bernardelli, a Moema de Pedro Americo é a de menor fortuna crítica e a menos conhecida do público. Suas dimensões reduzidas e a rapidez da fatura lhe conferem o aspecto de um estudo. Mesmo assim, ela não deixou de ser notada pela crítica, especialmente em tentativas de depreciar o autor.

A primeira crítica é de Monteiro Lobato. Breve e instrumental, ela se insere numa argumentação que busca minimizar o lugar de Pedro Américo na arte brasileira, para exaltar o de Almeida Junior.

Monteiro Lobato observou que, descontados os quadros históricos ou de guerra do autor de Independência ou Morte (1885), o Brasil só lhe servira de tema numa obra, “Moema, quadro noturno em que sob os reflexos da lua boia na onda um cadáver de mulher, enquanto se alonga mar afora uma caravela. Mas, como na Carioca, a Moema, de Moema, só tem o título”.

Para o crítico, portanto, a Moema de Pedro Américo passaria por uma odalisca, um nu como tantos outros, assim como, para ele, seria a Carioca (1882).

Outra crítica expressiva foi feita em 1977, por Argeu Guimarães, revelando o raro conhecimento público da obra:

“O buliçoso rival de Meireles invadiu-lhe a seara florida do fim dramático da desdenhada amante do primeiro brasileiro, na era pré-cabralina. Procuro em vão, na Moema de Pedro Américo, da antiga galeria de Laudelino Freire, quadro de cuja existência nem desconfiava, a interpretação do mesmo motivo animado por diversa sensibilidade; em Américo, como de esperar, não há praia nem floresta, mas o corpo a boiar nas águas plácidas acariciadas pelo luar e ao longe a galera do perjuro. Falta ao painel um toque de emoção na superfície líquida com a mulher abandonada sem a riqueza plástica de um nu sem a exaltação de outras criações do pintor no mesmo gênero”.

Se a pequena Moema de Américo não tem “paisagem”, como observou Argeu Guimarães, por outro lado ela corresponde a um soneto de Luiz Guimarães Júnior, biógrafo do pintor, cujo título é A voz de Moema:

Gemem as ondas mansamente; – a quilha
Do barco ondeia, ao som da vaga clara;
Cai do pharol a luz longínqua e rara,
E a Lua cheia sobre as ondas brilha.

Do mar na ardente e luminosa trilha
Nem um batel por estas horas pára:
Sonha a Bahia, ao longe, – a altiva e cara
Joia dos deuses, de Colombo filha.

Tudo é silencio e calma. O bardo, emtanto,
Que tudo vê, e em tudo colhe o thema
Que amor produz no flaccido quebranto,

Ouve pairar no ar sons d´um poema…
Ai! é a voz, – a

Artista

Pedro Américo de Figueiredo e Melo

Data

1878/ 1882c.

Local

Rio de Janeiro, Coleção Fadel.

Medidas

22,5 x 28 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

18 - Poetas e Literatos; 1000Sant - Santa Rita Durão; 1000SaMo - Moema

Autor

Luiz Marques

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