Monumento a Ilaria del Carretto

Já na edição Torrentina de 1550, da “Vida de Jacopo della
Quercia” (1374-1438), Giorgio Vasari menciona esta obra, a
ela retornando com mais detalhes na edição Giuntina de 1568:

Partito dunque da Siena, si condusse per mezzo d´alcuni
amici a Lucca, e quivi a Paulo Guinigi che n´era signore
fece per la moglie,  che poco inanzi era morta, nella chiesa
di S. Martino una sepoltura,  nel basamento della quale
condusse alcuni putti di marmo che reggono un festone tanto
pulitamente che parevano di carne, e nella  cassa posta
sopra il detto basamento fece con infinita diligenza 
l´immagine della moglie d´esso Paulo Guinigii che dentro vi
fu sepolta, e a´ piedi d´essa fece nel medesimo sasso un
cane di tondo rilievo, per la fede da lei portata al marito.

La qual cassa, partito o  più tosto cacciato che fu Paulo
l´anno 1429 di Lucca, e che la città  rimase libera, fu
levata di quel luogo, e per l´odio che alla memoria del 
Guinigio portavano i Lucchesi, quasi del tutto rovinata.
Pure, la reverenza che portarono alla bellezza della figura
e di tanti ornamenti  gli ratenne, e fu cagione che poco
appresso la cassa e la figura furono con diligenza
all´entrata della porta della sagrestia collocate, dove
al  presente sono, e la capella del Guinigio fatta della
comunità
.

“Partindo [Jacopo della Quercia} de Siena, mudou-se, com
ajuda de amigos, para Lucca, onde Paulo Guinigi, Senhor da
cidade, encomendou-lhe para a recém-falecida esposa, na
igreja de S. Martino, uma sepultura, na base da qual
executou alguns gênios de mármore que carregam festões com
tanta perfeição que parecem de carne. Sobre o tampo da caixa
do sarcófago fez com infinita diligência a imagem da mulher
de Paulo Guinigi, ali sepultada, e a seus pés, no mesmo
bloco, esculpiu a figura inteira de um cãozinho, pela
fidelidade sua ao marido.

Após a partida, ou antes a expulsão de Paulo de Lucca em
1429, tornando-se a cidade livre, o sarcófago foi retirado
de seu lugar e quase destruído pelo ódio que os cidadãos de
Lucca tinham de Guinigi. No entanto, a reverência pela
beleza da figura e por tantos ornamentos deteve-os, razão
pela qual o sarcófago e a figura foram logo depois colocados
com diligência na entrada da sacristia, onde se encontram
presentemente, e a capela de Guinigi foi feita pela
comunidade”.

Trata-se da tumba de Maria Ilaria del Carretto, filha do
marquês Carlo del Carretto, Senhor do Marquesado de Finale
(Savona), na Ligúria. Segunda esposa de Paolo Guinigi, que a
desposa em 1403 – tendo ela 24 anos -, Ilaria del Carretto
morre do segundo parto aos 26 anos, em 1405. Entre esta data
e o terceiro casamento de Paolo Guinigi, em 1507, deve-se
datar esta obra-prima de Jacopo della Quercia, ou ao menos a
figura jacente.

De fato, segundo uma hipótese de Roberto Longhi (1926), a
lastra marmórea sobre a qual repousa a estátua jacente de
Ilaria devia ser inicialmente colocada, senão diretamente no
chão, ao menos em uma posição mais rebaixada. Os dez gênios
alados ou putti que seguram os pesados festões à
volta das paredes do sarcófago devem talvez datar do momento
imediatamente posterior à expulsão de Paolo Guinigi em 1429,
quando o sarcófago é desmontado e remontado em outro lugar
da catedral.

São eles, ademais, de artistas diferentes, fato já intuído
por Jacob Burckhardt em 1860, que, contudo, inspirado no
gosto classicista do Oitocentos, prefere as figuras da face
que Longhi considera inferior:

Sur uno dei lati cinque puttini o genietti alati,
prepontentissimi nella loro grazia involta, si balanciono
famosi a sostenere la pesantissima basculla dei festoni di
frutta o di foglie, così stipati, pressati, carichi, da
tramutar miraculosamente il ritmo iniziale quasi soltanto in
peso. Um paradigma superbo per la plastica di qualsiasi
tempo
.

“Sobre um dos lados, cinco meninos ou geniozinhos alados,
potentíssimos em sua graça desenvolta, balançam-se famosos a
sustentar a pesadíssima báscula dos festões de fruta ou de
folhas, tão comprimidos, carregados e sob pressão que
transmutam miraculosamente o ritmo inicial quase apenas em
peso. Um paradigma soberbo para a plástica de qualquer
tempo”.

(continua no comentário à imagem de detalhe 1)

Artista

QUERCIA, Jacopo della

Data

1406/ 1408

Local

Lucca, Catedral

Medidas

244 x 88 x 66 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

SÉCULO XV

Index Iconografico

1700B - Retratos Escultura; 1700B1 - Retratos contemporâneos;
432 - Sarcófagos e outros relevos funerários; 444 - Gênios e
figuras infantis não especificadas; 444B - Gênios e outras
figuras infantis aladas em contextos funerários

Autor

Luiz Marques

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