Perseu com a cabeça de Medusa

Localização inventarial: PER 3, inv. 969

O mito de Perseu é mais conhecido na história da arte pelas narrativas de Ovídio (Metamorfoses IV, 611) e, sobretudo, de Apolodoro (Biblioteca II,4,1).

Perseu é filho de Zeus com Dânae, filha de Acrísios, rei de Argos e de Eurídice, filha de Lacedemônio. Desejando ter um filho homem, Acrísios foi consultar um oráculo, o qual lhe predisse que sua filha teria um filho que o mataria. Para evitar que sua filha procrie, encerra-a em uma torre (ou, segundo Apolodoro, em um quarto de bronze subterrâneo), onde a mantém em constante vigilância. Para a possuir, Zeus, que dela se enamorara, realiza a mais estranha de suas metamorfoses: uma chuva de ouro que penetra pela fresta da torre. O filho dessa união será Perseu.

Descoberto o filho, Acrísios aprisiona filha e neto em uma caixa e lança-os ao mar, mas Zeus os protege e estes darão, incólumes, na ilha de Sérifos, onde Perseu é educado por Ditis, irmã do tirano Polidectes, que assediará Dânae.

Para distanciar o enteado, Polidectes manda-o trazer-lhe a cabeça da terrível Medusa, uma das três Górgonas. É a primeira das aventuras do herói, fundador de Micenas e da dinastia dos Perseidas, que acabará por matar involuntariamente o avô, como previra o oráculo.

Executada por Antonio Canova (1757-1822) entre 1800 e 1801 e inicialmente destinada ao Foro Bonaparte de Milão, a escultura, que simbolizava Napoleão liberando a Itália dos monstros arcaicos, foi adquirida em 1802, junto com outras duas esculturas de Canova, por Pio VII, papa de 1800 a 1823, em revanche contra as humilhações a ele infligidas por Napoleão.

A referência ao Apolo do Belvedere*, analisada por Pinelli, é expressa pelo próprio artista que expõe a obra em seu ateliê ao lado de um gesso do Apolo e, em uma carta de maio de 1801, afirma: “Nestes dias, terminei uma estátua, maior talvez que o Apolo do Belvedere, representando um Perseu triunfante com a cabeça de Medusa em uma mão e na outra, a espada”.

Luiz Marques
13/04/2010

Bibliografia:

1981 – A. Pinelli, “La sfida rispettosa di Antonio Canova. Genesi e peripezie del Perseo trionfante. Ricerche di Storia dell´´arte, 13-14, pp. 21-40
1996 – G. Spinola, Il Museo Pio Clementino, Cottà del Vaticano, 2 volumes, vol. II, p. 112
1997 – A. Pinelli, “La grazia del Perseo e il furore dell´´Ercole: Canova eroico e politico suo malgrado. In, Nel segno di Giano, Roma, Carocci, pp. 257-270

Artista

CANOVA, Antonio

Data

1800/ 1801

Local

Vaticano, Museo Pio Clementino

Medidas

desconhecido

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XVIII

Index Iconografico

12JupxDân1 - Perseu; 12JupxDân3 - Perseu e Medusa;
11Medu - Medusa; 11Górg - Górgonas: Esteno, Euríale e Medusa

Autor

Luiz Marques

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