Perseu e a Liberação de Andrômeda

Registro inventarial: inv. R.F. 1982-51

Assinada e datada (Joachim Wtewael fecit Anno 1611),
esta obra-prima do pintor de Utrecht (1566-1638) entra em
1982 nas coleções do Louvre.

Ausente de Homero e de Hesíodo, as fontes textuais desse
episódio do ciclo de Perseu, no reino etíope de Cefeu e
Cassíope, pais de Andrômeda, remontam a tragédias de
Sófocles e Calipso, conservadas apenas em fragmentos. O tema
é retomado no século III pelo Pseudo-Apolodoro e em uma das
écfrases das Imagens de Filóstrato, o Velho (I,29).

Entre os modelos antigos conservados, todos desconhecidos no
Renascimento, contam-se um vaso (loutrophoros) do
Pintor de Dario*, do século IV a.C. (MAN, inv. 82266), sete
afrescos de Pompeia e um afresco, outrora em Boscotrecase
(Nápoles), hoje no Metropolitan Museum de New York*, além de
um mosaico em Tunis, Musée Nationale de Bardo.

Um afresco proveniente da Casa dos Dióscuros* de Pompeia
(MAN, inv. 8998) e o reverso de uma moeda, um Deultum
do Imperador Macrinus (217-218), derivam provavelmente de
uma perdida pintura de Níkias, pintor ateniense da segunda
metade do século IV a.C., colaborador de Praxíteles e,
segundo Plínio, autor de uma Calipso, uma Io e uma
Andrômeda, posto que “habilíssimo pintor de mulheres” (H.N.,
XXXV, 131: Nicia Atheniense, qui diligentissime mulieres
pinxit
)

As Metamorfoses IV, 663-764 de Ovídio são, como de
costume, a fonte mais recorrente na história da arte dos
séculos XV a XVIII. Em Ovídio, o relato é imediatamente
sucessivo ao do enfrentamento com Atlas, durante o qual
Perseu está já de posse da cabeça da Medusa, como se pode
efetivamente entrever no relevo de seu escudo na presente
obra.

Como Cassíope cometesse a hybris de se vangloriar por
superar em beleza todas as Nereidas, estas pedem a Netuno
que as vingue. Para satisfazê-las, o deus envia ao país um
monstro marinho que o devasta. A única forma de escapar
seria, segundo um oráculo de Amon, sacrificar-lhe, como
vítima expiatória, a filha de Cassíope. Amarrada a um
rochedo para ser devorada, Andrômeda é liberada in
extremis
por Perseu, dela enamorado, que enfrenta a fera
e mata-a a golpes de espada, não sem antes obter dos pais da
heroína a promessa de dá-la em casamento como prenda de seu
feito.

A partir de inícios do século XVI, a fábula de Perseu e
Andrômeda é retom

Artista

WTEWAEL, Joachim

Data

1611

Local

Paris, musée du Louvre

Medidas

180 x 150 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

12JupxDân - Júpiter e Dânae; 12JupxDân1 - Perseu; 12JupxDân2
- Perseu e a Liberação de Andrômeda

Autor

Luiz Marques

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