Pigmalião e a Estátua de Afrodite

“Registro inventarial: inv. 1890, n. 9933

A fonte textual do mito de Pigmalião e Galatea remonta a
Ovídio, Metamorfoses, X, 238-291:

Quas quia Pygmalion aeuum per crimen agentis
Viderat, offensus uitiis quae plurima menti
Femineae natura dedit, sine coniuge caelebs
Viuebat thalamique diu consorte carebat.
Interea niueum mira feliciter arte
Sculpsit ebur formamque dedit, qua femina nasci
Nulla potest; operisque sui concepit amorem.
Virginis est uerae facies, quam uiuere credas,
Et, si non obstet reuerentia, uelle moueri;
Ars adeo latet arte sua. Miratur et haurit
Pectore Pygmalion simulati corporis ignes.

Saepe manus operi temptantes admouet, an sit
Corpus an illud ebur; nec adhuc ebur esse fatetur.
Oscula dat reddique putat loquiturque tenetque
Et credit tactis digitos insidere membris
Et metuit, pressos ueniat ne liuor in artus;
Et modo blanditias adhibet, modo gratia puellis
Munera fert illi, conchas teretesque lapillos
Et paruas uolucres et flores mille colorum
Liliaque pictasque pilas et ab arbore lapsas
Heliadum lacrimas; ornat quoque vestibus artus,
Dat digitis gemmas, dat longa monilia collo;
Aure leves bacae, redimicula pectore pendent.
Cuncta decent, nec nuda minus formosa uidetur.
Colocat hanc stratis concha Sidonide tinctis
Appellatque tori sociam acclinataque colla
Mollibus in plumis, tanquam sensura, reponit.

Festa dies Veneris tota celeberrima Cypro
Venerat, et pandis inductae cornibus aurum
Conciderant ictae nivea cervice iuuencae,
Turaque fumabant; cum munere functus ad aras
Constitit et timide: “”Si di dare cuncta potestis,
Sit coniunx opto”” (non ausus “”eburnea virgo””
Dicere) Pygmalion, “”similis mea””, dixit, “”eburnae””.
Sensit, ut ipsa suis aderat Venus aurea festis,
Vota quid ilia uelint ; et, amici numinis omen,
Flamma ter accensa est, apicemque per aera duxit.

Vt rediit simulacra suae petit ille puellae,
Incumbensque toro dedit oscula. Visa tepere est.
Temptatum mollescit ebur, positoque rigore
Subsidit digitis, ceditque, ut Hymettia sole
Cera remollescit, tractataque pollice multas
Flectitur in facies, ipsoque fit utilis usu.
Dum stupet et dubie gaudet fallique veretur,
Rursus amans rursusque manu sua vota retractat;
Corpus erat ; saliunt temptatae pollice venae.
Tum vero Paphius plenissima concipit heros
Verba, quibus Veneri grates agat
.

“”Pois que Pigmalião tinha visto a vida de crimes das
mulheres e se revoltado com os muitos vícios que a natureza
lhes incutira, vivia celibatário e sem cônjuge e seu tálamo
não era compartilhado por uma consorte. Entrementes, graças
a uma admirável habilidade, ele esculpiu em marfim a forma
de uma mulher não igualada por nenhuma outra nascida. E
apaixonou-se por sua obra. O semblante da jovem parece tão
real que dirias estar viva e que, não a retivesse o pudor,
desejaria se mover, tanto sua arte se dissimula por força da
arte. Maravilhado e com o peito inflamado, Pigmalion fita
este simulacro que ele esculpira.

Com frequência, ele toca com as mãos para se assegurar de
que se trata de marfim e não de verdadeira carne e não pode
se convencer de que seja feito de marfim. Beija-a e imagina
que ela o beija de volta; fala-lhe e a tem em seus braços, e
acredita que seus dedos afundam em sua carne. E teme que
deixem sua marca lívida em seus membros. Ora, ele acaricia,
ora lhe dá esses presentes que agradam às jovens: conchas,
pedrinhas polidas, passarinhos e flores de mil cores, lírios
e bolas pintadas e lágrimas de âmbar caídas dos salgueiros.
Orna-a com belas vestes, coloca em seu dedos gemas, cinge
seu pescoço com longos colares. De suas orelhas pendem
brincos de pérolas, em seu peito há pequenas cadeias de
ouro. Tudo lhe convém e não menos bela ela parece nua. Ele a
deita sobre tapetes tingidos com a púrpura de Sidon e a
chama de companheira de leito e recosta seu pescoço
inclinado sobre almofadas de moles plumas, como se ela as
sentisse.

Veio o dia em se celebrava a festa de Vênus, celebérrima em
toda Chipre. Novilhas com os chifres recobertos de ouro
caíam golpeadas em seus níveos pescoços. O incenso fumegava.
Pigmalião, de pé diante do altar, tendo feito sua oferenda,
pede suplicante: “”ó deuses, se podeis conceder tudo, dai-me
por esposa (não ousa pedir “”minha jovem de marfim””), uma
mulher similar à minha de marfim””. Ouve-o, a áurea Vênus,
presente em seu festival, e compreende o que sua oração
significa. Três vezes a chama crepita e eleva sua ponta ao
ar.

Quando volta à casa, Pigmalião acorre à estátua de sua
garota e inclinando-se sobre o leito beija-a. Seu rosto é
tépido. De novo, encosta-lhe os lábios e suas mãos tateiam
seu peito. A tal contato, o marfim se amacia e cede aos seus
dedos, como ao sol, a cera de Himécia. Presionado pelo
polegar, ele assume formas dúcteis e múltiplas””.

(continua no comentário ao detalhe da imagem. Veja-se:
http://www.mare.art.br/detalhe.asp?idobra=3638)”

Artista

Bronzino, Agnolo di Cosimo di Mariano, chamado Il

Data

1529c. / 1532c.

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

81 x 63 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1111 - O Mundo e o Mito do Artista; 1111C1 - Pigmalião e
Galateia

Autor

Luiz Marques

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