Artur Timóteo da Costa (1882-1923) é retratado aqui por
Carlos Chambelland em Paris, onde então reside graças ao
prêmio de viagem à Europa obtido no Salão de 1906 com seu
Antes da Aleluia. Chambelland obtivera o mesmo prêmio
em 1907 com seu Final de Jogo*.
Trata-se de um dos mais característicos retratos do artista
como dandi, segundo o modelo elaborado especialmente pela
pintura francesa, de Manet a Degas, com seus derramamentos
sobre Giovanni Boldini, um especialista do retato dandi e o
mais parisiense dos pintores italianos da época.
O contraste entre as linhas arredondadas da poltrona e as
formas retangulares do quadro e da parede, bem como a busca
de acordes cromáticos de grande densidade atmosférica,
remetem de modo evidente a James Whistler, não apenas ao
célebre retrato de sua mãe* (1871, Musée d`Orsay), mas
sobretudo ao retrato de Thomas Carlyle* de 1872-1873, na
Glasgow Museum and Art Gallery.
Este gênero de retrato no qual o artista se convida a
participar do beau monde, da vida elegante da
burguesia e da aristocracia de final do século, pode ser
entendido como uma espécie de contrapartida reativa à
marginalização sociológica e à automarginalização
existencial do artista ao longo da segunda metade do século
XIX. Aos artistas brasileiros que transitavam da corte de
Pedro II para a República, empenhados em obter uma posição
estável no novo quadro institucional e em um mercado de arte
cronicamente raquítico, este ideal de homem refinado
convinha particularmente. Ele se reencontra, por exemplo, no
retrato de Presciliano Silva* por Antonio Olavo Batista, no
Museu de Arte da Bahia, no retrato de Gonzaga Duque por
Amoedo*, em coleção privada, entre outros.
Luiz Marques
30/04/2010
Bibliografia
1988 – J.R. Teixeira Leite, Dicionário Crítico da Pintura no
Brasil, Rio de Janeiro, Artlivre, ad vocem
2001 – L. Marques, Trinta Mestres da Pintura no Brasil.
Catálogo da exposição, Rio de Janeiro, Museu Nacional de
Belas Artes, p. 122

