Retrato de Ippolito de´ Medici

Ippolito de´ Medici (1511-1535) é filho ilegítimo de Giuliano de´ Medici (1479-1516), duque de Nemours e, portanto, neto de Lorenzo il Magnifico. Clemente VII o faz cardeal em 1529, aos 18 anos e em meados de 1532 nomeia-o comandante das tropas papais contra os Turcos. Nesta condição, Ippolito viaja para a Hungria, não sem antes se fazer retratar em Bolonha, em meados de 1533, por Tiziano, portando sobre o chapeu a impresa de Giulia Gonzaga, a jovem viúva de Vespasiano Colonna, de legendária beleza.

Embora o duplo retrato atribuído a Girolamo da Carpi da National Gallery de Londres*, mostre-o – ao lado do chierico di camera, Monsignor Marco Bracci – como cardeal e Vice-Cancelliere da Igreja, é sem dúvida este retrato em vestes húngaras que melhor o caracteriza como perfeito homme du monde, à altura de sua reputação de grande Senhor, levando em seu palácio em Campo Marzio uma existência sensual e intensa, pouco condizente com seu título cardinalício, não obstante as admoestações de Clemente VII. No início dos anos 1530, Roma, ainda marcada pelo saque de 1527, tinha com efeito em Ippolito o signo de um renovado clima de magnificência. Poeta e músico talentoso, tradutor de Virgílio, além de promotor de caçadas e festas suntuosas, Ippolito mantinha em sua corte “infiniti virtuosi, molti scultori e pittori” (Vasari, Vita di Alfonso Lombardi Ferrarese). Para ele, Vasari faz (perdidas) pinturas de tema mitológico, entre as quais uma Vênus com as Graças, um “sátiro libidinoso espreitando Vênus e as Graças”, e em 1532 uma tela de quase 5 metros, representando uma Bacanal com uma batalha de Sátiros, obra que dá a seu protetor, “por ser alegre e cômica, sumo prazer” (“per essere gioiosa e ridicula, ha dato sommo piacere al cardinale”). De pouco efeito é, assim, o Harpócrates, signo do silêncio introspectivo, que Vasari lhe pinta, a pedido de Clemente VII, “per esempio del cardinal nostro” (Carta a Ottaviano de´ Medici de 13 de junho de 1532).

Ippolito retorna a Roma em 1533 e após a morte do papa em 1534, torna-se porta-voz dos republicanos florentinos contra os desmandos do duque Alessandro. Em agosto de 1535 embarca para Gaeta, aonde não chegará, posto que morre em Itri, em 10 de agosto, envenenado a mando de Alessandro de´Medici.

Luiz Marques
23/03/2010

Bibliografia

1975 – C. Gould, National Gallery Catalogues. The Sixteenth Century Italian Schools. Londres. Reimpressão em 1987, p. 111

Artista

TIZIANO Vecellio

Data

1533

Local

Florença, Galleria Palatina, Palazzo Pitti

Medidas

139 x 107 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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