Retrato de José da Silva Brandão

Mais conhecido por seus nus do período de bolsista na Europa
(1893-1900) ou pelas paisagens do Rio de Janeiro, Paris ou
Teresópolis, realizadas ao longo de toda sua carreira,
Eliseu Visconti (1866-1944) foi também exímio retratista.

Desde 1890 temos exemplos fascinantes de sua técnica e
densidade na interpretação de uma fisionomia, porém os mais
afamados são os retratos da escultora Nicolina Vaz de Assis
(1874-1941) e do crítico de arte Gonzaga Duque (1863-1911),
criados respectivamente em 1905 e 1908, ambos do acervo do
Museu Nacional de Belas Artes.

Antonio José da Silva Brandão foi membro do Conselho
Municipal do Rio de Janeiro, de 1917 a 1922, em dois
mandatos consecutivos. Foi na sua segunda gestão que
Visconti recebeu a incumbência de realizar a decoração para
o vestíbulo do novo prédio do Conselho (Palácio Pedro
Ernesto), que começou a ser construído em 1920, justamente
quando Visconti voltava da Europa com sua família.

A decoração é constituída de um tríptico com o tema Deveres
da Cidade, cujos painéis laterais são dedicados a Pereira
Passos (1836-1913) e a Osvaldo Cruz (1872-1917), numa
homenagem ao trabalho de urbanização e saneamento que
realizaram na capital brasileira de então.

Com essa decoração, terminada em 1923, Visconti completava o
quadrilátero de prédios públicos na Cinelândia, onde se
podem admirar suas obras, sendo os demais: o Teatro
Municipal (1908 e 1916), a Biblioteca Nacional (1910) e o
Museu Nacional de Belas Artes, na época Pinacoteca da Escola
Nacional de Belas Artes.

Dez anos depois de realizada a decoração, situada no
primeiro lance da escadaria, na entrada do edifício,
Visconti faz o retrato de um dos conselheiros. A pose
relaxada, a vasta cabeleira branca, a expressão cansada,
reafirmam a vocação de Visconti para o retrato psicológico.

As massas de tintas sobrepostas, as sombras e luzes
coloridas que compõem o rosto e a mão, conferem naturalidade
à pintura. Ao fundo, veem-se alguns quadros de Visconti,
inclusive um conhecido apenas por uma foto de cerca de 1930,
do atelier da Rua Mem de Sá, na qual o pintor aparece junto
a muitas obras espalhadas pelas paredes. A imagem esboçada
ao fundo do Retrato de José da Silva Brandão dá-nos uma
pálida ideia do colorido da pintura não localizada.

O retrato foi apresentado na 39ª Exposição Geral de Belas
Artes, de 1933, e na ocasião, reproduzido no Correio da
Manhã. Segundo registros do MNBA, a pintura foi comprada da
família Visconti em 1957.

Mirian N. Seraphim
14/01/2012

Bibliografia:
1933 – Salão Nacional de Bellas Artes. Correio da Manhã,
Supplemento, 13 ago., p.1.
1944 – F. Barata, Eliseu Visconti e seu Tempo. Rio de
Janeiro: Zélio Valverde, p. 102.
1949 – Exposição Retrospectiva de Elyseu D´Angelo Visconti.
Catálogo de exposição. Rio de Janeiro. Museu Nacional de
Belas Artes e Ministério de Educação e Saúde.
2010 – M. N. Seraphim, A catalogação das pinturas a óleo de
Eliseu d´Angelo Visconti: o estado da questão. Tese de
Doutorado. Campinas: IFCH Unicamp.

Artista

VISCONTI, Eliseu d´Angelo

Data

1932

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

81,2 x 60,2 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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