Retrato de Lucrezia Panciatichi

Agnolo Bronzino (1503-1572) executa o retrato de Lucrezia di
Gismondo Pucci juntamente com o de seu esposo, Bartolomeo
Panciatichi*. O caráter conjugal da dupla encomenda (a que
se acrescentam três obras de cunho religioso) é sublinhado
pela inscrição no grande colar de ouro de Lucrezia, cuja
fórmula circular reforça a ideia de infinitude do amor (ao
mesmo tempo conjugal e divino):

sans fin amour dure sans

Ao longo do século XVI há um processo de assimilação do
neoplatonismo quatrocentista pelas cortes italianas. Assim,
Agostino Nifo em 1529, no De pulchro et amore (1529),
compara Giovanna d´Aragona com a imagem da beleza absoluta.
Da mesma forma, a beleza de Lucrezia Panciatichi foi
comparada, como nota Falciani, a certos cânones da beleza
feminina expostos por Agnolo Firenzuola no Dialogo della
bellezza delle donne intitolato Celso
, publicado em
Florença em 1548.

Assim como no Cristo crucificado* que Bronzino pinta para os
Panciatichi, também no retrato de Lucrezia uma arquitetura
de grande sobriedade – composta unicamente por um nicho e
duas colunas que deixam advinhar um arco – contribui para
dar maior ressalto à vívida presença da figura, na qual se
combinam o fasto cromático do ouro e das sedas vermelhas com
a impassibilidade de marfim de seu semblante.

Cropper acredita que a predominância do vermelho nas vestes
de Lucrezia deva-se a referências ao sangue de Cristo,
hauridas no Beneficio di Cristo, inspirado no
pensamento de Juan de Valdés, o famoso livro que serviu de
guia aos meios filo-reformistas italianos naqueles anos.

A figura tem nas mãos um livro de horas aberto na página em
que se lê, segundo Elena Aloia, o Salmo 150 na página
esquerda (iniciado sempre com um Laudate) e ao final
a antífona Pulchra es et decora do Cântico dos
Cânticos (6,4). Na página direita, lê-se uma passagem do
Cântico dos Cânticos (6,9): una est columba mea, perfecta
mea
, e em baixo um hino a Maria.

Luiz Marques
21/11/2011

Bibliografia:
2002 – M. Brock, Bronzino, Paris: Flammarion, p. 74
2008/2009 – E. Aloia, I Panciatichi degli Uffizi. Tesi di
Laurea. Università degli Studi di Perugia (dir. A. Natali).
2010 – E. Cropper, “Per una lettura dei ritratti fiorentini
del Bronzino”. In C. Falciani, A. Natali, Bronzino. Pittore
e Poeta alla Corte dewi Medici. Catálogo da exposição.
Florença: Mandragora, p. 168.
2010 – C. Falciani, in C. Falciani, A. Natali, Bronzino.
Pittore e Poeta alla Corte degli Medici. Catálogo da
exposição. Florença: Mandragora, p. 168.

Artista

Bronzino, Agnolo di Cosimo di Mariano, chamado Il

Data

1541/ 1545c.

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

102 x 85 cm

Técnica

Óleo sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos Contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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