Safo

Registro inventarial: Gift of Thomas Lloyd

Safo, a poeta da ilha de Lesbos que Platão chamou a “décima
Musa”, foi representada em esculturas desde a Antiguidade.
Em 70 a.C., em seu In Verrem (2, 4, 122-123), Cícero
ataca e consegue condenar Gaius Verres (120 a.C. circa – 43
a.C), nomeado governador de Siracusa para o infortúnio desta
cidade, pois roubou todos os seus mais belos monumentos,
inclusive uma estátua em bronze de “Safo” de Silânio:

Nam Sappho quae sublata de prytanio est dat tibi iustam
excusationem, prope ut concedendum atque ignoscendum esse
uideatur. Silanionis opus tam perfectum, tam elegans, tam
elaboratum quisquam non modo priuatus sed populus potius
haberet quam homo elegantissimus atque eruditissimus,
Verres?

“Pois que a Safo roubada da prefeitura justifica-te, quase a
ponto de se poder conceder e até mesmo perdoar-se. Esta obra
de Silânio, tão perfeita, tão elegante, tão elaborada não
apenas um privado qualquer, mas o povo possuiria de
preferência a um homem elegantíssimo e eruditíssimo,
Verres?”

Silânio é o famoso bronzista ateniense citado por Plínio
(Historia naturalis, XXXIV, 81) como um artista:

“entre todos o mais escrupuloso e juiz impiedoso de si
mesmo, que costumava despedaçar suas estátuas já terminadas
pois não conseguia satisfazer suas exigências artísticas e
era por isso chamado ´o Louco´”.

Não se conservou este bronze de Safo e, de resto, nenhuma
representação antiga da poeta, que só será representada,
modernamente, por Rafael no afresco do “Párnaso” da Stanza
della Segnatura, no Vaticano (1511).

No século XIX, Safo se torna uma figura emblemática do
suicídio do poeta e Théodore Chassériau (1819-1856)
notabilizar-se-ia por ao menos duas representações, uma
delas intitulada “Sappho se précipitant du Rocher de
Leucate” (1840c.) e a outra em estado de profunda meditação
suicida. Tal é também o caso desta representação proposta
por Charles Mengin ao Salon de Paris de 1877.

O catálogo do Museu de Manchester percebe na lividez da
figura uma alusão à Ode “Parece-me igual a deus”),
livremente traduzida por Catulo (poema 51), o que dela fez
seu mais emblemático poema.

Luiz Marques
19/VII/2013

Bibliografia:
Michael Howard, A Guide to Manchester Art Gallery. Scala,
2002, p. 60.

Artista

MENGIN, Charles

Data

1877

Local

Manchester, Manchester Art Gallery

Medidas

230 x 151,5 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

50 - SÉCULO XIX

Index Iconografico

1118 - Literatos Antigos; 1118Safo - Safo

Autor

Luiz Marques

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