São Mateus

Em sua Vida de Michelangelo, Giorgio Vasari menciona o São Mateus de Michelangelo nestes termos:

“Michelangelo recebeu de Pier Soderini, por sua mercê, 400 escudos, tendo sido a obra [o Davi] erguida no ano de 1504. (…) E foi ainda na mesma época que esboçou uma estátua de mármore de São Mateus em S. Maria del Fiore, que, assim esboçada, mostra a sua perfeição e ensina aos escultores de que modo se retiram figuras dos mármores sem estropiá-los. Pois é preciso desbastá-los sempre com o juízo, conservando-os de maneira a se poder, em caso de necessidade, subtrair matéria e mudar algo”.

Conservada desde 1834 na Galleria dell´Accademia, em Florença, a obra resulta de uma encomenda da Arte della Lana e da Opera da Catedral, instituições representadas no contrato de 24 de abril de 1503 por Giuliano da Sangallo, Simone del Pollaiuolo, il Cronaca, caputmagistro, e Niccolo di Michelozzo Michelozzi, chancellario dicte artis lane.

O contrato previa:

statuas duodecim Apostolorum fiendorum de marmore carrariensi albo

“estátuas dos 12 apóstolos, a serem feitas de mármore branco de Carrara”, medindo cada uma delas quatro braccia e um quarto (2,5 metros aproximadamente), a serem executadas à razão de uma por ano e ao preço de dois florins de ouro por mês, mais uma casa em Borgo Pinti.

Esta casa teve suas fundações lançadas neste mesmo ano e em 27 de fevereiro de 1504 Cronaca foi encarregado de construí-la, conforme contrato publicado por Gaye [1839/40:II,473 78]

Provavelmente devido ao retorno de Michelangelo a Roma, em março de 1505, a casa em Borgo Pinti estipulada pelo contrato foi cancelada, segundo um documento de 18 de desembro de 1505.

Embora apenas esboçado, o São Mateus foi extraordinariamente apreciado e citado com ênfase por Benedetto Varchi em seu discurso pronunciado nos funerais do artista em 1564.

Por seu contraposto e seu pathos, o São Mateus foi modernamente considerado como um momento de emergência na poética do artista, prenunciador dos Escravos do sepulcro de Júlio II e, em geral, da sucessiva radicalização da torsão de suas figuras e de sua expressividade.

Tal é a razão pela qual o debate sobre sua datação, muito complicado pela margem de incerteza deixada pelos numerosos indícios documentais e estilísticos, foi um ponto central de discussão entre os estudiosos. Em 2000, Amy [2000:493-496] repassou a limpo o conjunto dos elementos em jogo e publicou nova evidência documental que lhe permitiu estabelecer c

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1506

Local

Florença, Galleria dell'Accademia

Medidas

218 cm

Técnica

Mármore

Suporte

Escultura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

716 - Os Quatro Evangelistas; 716A - Mateus

Autor

Luiz Marques

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