Síntese plástica da Ideia de Guerra

“Sob duas bandeiras francesas, lê-se a inscrição: Ordre de
Mobilisation Générale
; embaixo, a data “”1914″”.

Nascido em Cortona, Gino Severini (1883-1966) instala-se em
1899 em Roma, onde vive em dificuldade. O encontro em 1901
com Umberto Boccioni (1882-1916) e Giacomo Balla (1871-
1958), que retornam de Paris, é decisivo em suas leituras de
Schopenhauer, Nietzsche, os romancistas russos e Marx, bem
como em suas primeiras incursões mais desenvoltas na
pintura, sob o impacto de divisionismo que Balla trouxera de
Paris.

Em Roma, nas exposições Amatori e Cultori de 1903 e de 1904,
Severini expõe suas primeiras telas, mas, de modo geral, o
conservadorismo de seu ambiente leva-o a fixar-se em Paris,
em 1906, onde se liga a Modigliani, Picasso, Juan Gris,
Braque e Max Jacob, entre outros.

Signatário em 1910, a convite de Boccioni, do Manifesto
dei pittori futuristi
, ele assina igualmente em abril
desse ano o segundo manifesto: La pittura futurista –
Manifesto tecnico
, além de participar de diversas
exposições coletivas e individuais nas maiores capitais
europeias, incluindo uma individual na Marlborough Gallery
de Londres, em 1913, transferida em seguida para a Sturm-
Galerie de Berlim.

Entre 1912 e 1915, Gino Severini (1883-1966) terá sido o
artista que talvez mais profundamente tenha desenvolvido, em
suas obras, o diálogo entre a Itália e a França, ou entre
cinetismo e a análise cubista da forma, de que resulta o
assim chamado cubofuturismo.

A eclosão da guerra surpreende-o em Roma, adoentado, e
Severini retorna imediatamente a Paris. Como aos demais
futuristas, ela inspira-lhe pinturas que louvam a extremada
hegemonia da máquina sobre o homem, típica dessa guerra
industrial.

Neste hino ao binômio guerra-indústria, no qual se assiste à
eclipse do homem, é o aço o protagonista do drama, projetado
em diagonal ascendente e tomando formas primordiais da
psique e do fundo civilizacional do Ocidente: a âncora, a
roda, a cruz, o canhão fálico, o alvo concêntrico.

Nada aqui dos horrores da guerra, que decerto atingirão
Severini, mesmo afastado do front, pois já em 1916 seu
quadro “”Maternidade”” marca um precoce rappel à
l´ordre
, prelúdio à conversão ao classicismo (tematizado
em Du cubisme au classicisme, Paris, 1921) e, em
1923, ao catolicismo, sob a influência do filósofo Jacques
Maritain (1882-1973).

Luiz Marques
01/12/2011

Bibliografia:
1930 – J. Maritain, Gino Severini, Paris: Gallimard
1996 – E. Coen, “”Gino Severini””. The Grove Dictionary of
Art, vol. 28, ad vocem.

Artista

SEVERINI, Gino

Data

1915

Local

Munique, Neue Pinakothek

Medidas

60 x 50 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

História Medieval Moderna e Contemporânea

Período

SÉCULO XX

Index Iconografico

1100Gue - A Guerra e os Horrores da Guerra; 1463 - O Exército
e o Soldado; 875 - Figuras da contemporaneidade; 875maq - A
máquina e o maquinismo

Autor

Luiz Marques

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