Suicidio de Catão

“Perdidas as laudationes de Cícero e Brutus e as vituperationes de César e de Hírtio, a grande biografia de Plutarco, em contraposto à de Fócion, permanece a mais importante fonte textual antiga sobre Márcio Pórcio Catão, chamado Catão de Útica.

Catão foi Pretor em 54 a.C. e morre suicida em Útica (na atual Tunísia) em 13 de abril de 46 a.C., para não se render a César que acabara de vencer a batalha de Tapso.

Conservam-se dele, além da de Plutarco, as biografias de Cornélio Nepos e de Valério Máximo. Menções a seu suicídio encontram-se, ademais, em Sêneca, Ad Luc., 24, 61; 70, 19, em Apiano, Hist. Rom II, 98-101; em Floro, 2, 13, 72 e em Cassio Dio, 43, 11, 4-6.

Mais importante de todas, não apenas por sua maior fortuna, como por sua pungente beleza, é, como dito, a longa descrição de Plutarco, 70, parcialmente transcrita na representação deste Suicídio por Langetti* em Gênova. Sobre a importante passagem de Apiano, ver a representação deste Suicídio pelo pintor anônimo napolitano*, conservada em Viena.

Se Catão foi bastante representado no século XIV, em virtude sobretudo de sua importante posição na vestíbulo do Purgatório de Dante, e o foi ainda no século XV, no âmbito dos ciclos pictóricos de Homens Ilustres, a representação de seu suicídio comparece neste afresco de Beccafumi, salvo engano, pela primeira vez na história da arte.

O artista sienense não segue nenhuma fonte textual antiga, preferindo encenar o suicídio no contexto de uma batalha urbana, na qual Catão é figurado, sugestivamente, como outro mártir de um causa perdida, Laocoonte*, escultura que Beccafumi representa invertida, mas que pudera estudar diretamente em Roma dez anos antes.

O afresco é uma das cenas de uma complexa decoração da abóbada de um salão do Palácio Casini Casuccini, em Siena, baseada nos Factorum et dictorum memorabilium libri novem (http://www.thelatinlibrary.com/valmax.html) de Valério Máximo (século I d.C.).

Luiz Marques
18/11/2010

Bibliografia:
1978 – R. Guerrini, “”Valerio Massimo e gli affreschi di Domenico Beccafumi nel Palazzo Bindi Sergardi in Siena””. Atheneum, LVI, III-IV, pp. 267-287;
1994 – A. Pinelli, “”Messaggi in chiaro e messaggi in codice. Arte, umanesimo e politica nei cicli profani del Beccafumi””. Ricerche di Storia dell`Arte, 53, 35-66
2004 – A. Pinelli, La bellezza impura. Arte e politica nell`Italia del Rinascimento. Roma, Bari, 2004, pp. 73-90
2010 – L. Marques, Do Laocoonte à Fábrica do Suicídio. A Invenção do Suicídio de Catão 1520 – 1530. (No prelo)

Artista

BECCAFUMI, Domenico di Pace, chamado

Data

1519/ 1520

Local

Siena, Palazzo Casini Casuccini

Medidas

100 x 130 cm

Técnica

Afresco

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

354B - O suicídio de Catão

Autor

Luiz Marques

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