Terraço do Passeio Público

“Na fotografia de Klumb vemos um menino negro sorridente que caminha em um trecho ensolarado do terraço do Passeio Público.

Nosso olhar percorre inicialmente os feixes de linhas diagonais que ornamentam o piso e percebe, à esquerda, a murada, de onde era possível avistar a baía (na época o mar chegava até o local), e os sucessivos postes de iluminação à gás. No plano de fundo podemos perceber o edifício octagonal e algumas construções bem próximas aos morros.

O Passeio Público foi inaugurado em 1783, projeto do escultor e arquiteto Valentim da Fonseca e Silva, conhecido como Mestre Valentim.

O projeto de inspiração francesa incluía chafarizes, pirâmides de pedra e várias esculturas nos jardins de linhas ortogonais. Bastante degradado na década de 1860, foi objeto de uma reforma paisagística empreendida pelo francês Auguste François Marie Glaziou.

Residindo no Rio de Janeiro desde 1858, chamado por Victor Frond para redigir o livro “”Brasil Pitoresco”” (1859-1861), o escritor Charles Ribeyrolles comentou sobre o local, o primeiro jardim público do Rio de Janeiro :

“”É um jardim mal cuidado, quase sem arte, sem cultura. Tem realmente árvores soberbas como pinheiros, bombax e algumas palmeiras de coifa aberta em leque. Ali há frescura, flores e sombra. E como última aléia, um magnífico terraço de pedra que defronta a entrada da baía.

[…]

Sobre o terraço do Passeio podia eu cismar tranqüilo e entregar-me completamente às queridas imagens perdidas. Não escutava mais que o canto das cigarras, atrás de mim, nos ramos do arvoredo, e a onda que marulhava na praia.

Pouca gente procura esse jardim. Ao domingo, das quatro às dez horas, aqueles que não têm chácara em Botafogo ou S. Cristóvão vão ali desfrutar a viração da tarde e as notas de uma banda militar. Nos outros dias os visitantes são raros e o terraço é deserto. Todos preferem espiar das janelas ou das portas, quando não se deixam ficar num salão abafado, entre o piano e os candelabros.””

O Passeio Público era, portanto, um local de lazer para a sociedade de corte.

O fotógrafo procurou enfatizar os detalhes da arquitetura e, ao mesmo tempo, chamou a atenção do espectador para o menino sorridente, que caminha sozinho pelo local

Klumb nos leva a refletir sobre o contexto histórico da época, e sobre a ainda tênue campanha abolicionista, com a qual colaborou também o texto de Ribeyrolles.

Maria Antonia Couto da Silva
24/072010

Bibliografia:
1980 – C. Ribeyrolles. Brasil Pitoresco.[1859]. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1980, volume 1, pp. 191-192.

Artista

KLUMB, Revert Henrique

Data

1860

Local

Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional

Medidas

7,22 x 7 cm (estereoscopia)

Técnica

Fotografia

Suporte

Pintura

Tema

Natureza Paisagem e Arcádia

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

1602 - Paisagens com arquiteturas e figuras; 1350 - A Vida Urbana (A Via e os Espaços Públicos); 1603 - Paisagem urbana

Autor

Maria Antonia Couto

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