Triunfo de Marcos Fúrio Camilo

Seis vezes Tribuno consular entre 401 e 381, cinco vezes ditador a partir de 396, Marcos Fúrio Camilo, morto octogenário em 365, permanece figura central da história de Roma no terrível primeiro terço do século IV a.C.. Tito-Lívio dedica-lhe páginas antológicas, do capítulo 19 do livro V até o final do livro VI. No início do livro VII, comentando sua morte, “não decerto imatura, mas sempre acerba”, ele põe em perspectiva a personagem: “homem absolutamente excepcional em qualquer conjuntura, primeiro na paz e primeiro na guerra antes do exílio, mais ilustre no exílio, seja pelo pranto da cidade que, escrava, implorou a ajuda do ausente, seja pela feliz empresa, quando, de volta à pátria, devolveu a pátria a si mesma: sempre, por vinte e cinco anos – enquanto viveu -, à altura de tantas glórias, sempre digno de ser considerado e chamado segundo fundador, após Rômulo, da cidade de Roma”.

Salviati representa o triunfo decorrente da conquista de Veio, cidade da dodecápolis etrusca a 20 kms ao norte de Roma. Após um assédio de 10 anos, Veio é enfim expugnada e devastada por Camilo em 396, e seus habitantes vendidos como escravos. Salviati funde numa mesma figuração os capítulos de 19, 22 e 23 do livro V de Tito-Lívio: a invasão da cidade graças a um estratagema, qual seja a construção de um túnel secreto (19), o transporte da estátua de Juno de Veio para seu novo templo no Aventino (22) e o sucessivo triunfo de Camilo (23).

É eloquente o paralelo entre o conquistador, salvador e refundador de Roma, e Cosimo I de´ Medici (1519-1574), novo Cosimo, salvador e refundador da grandeza florentina, em renovada emulação com Roma. Cosimo surge, assim, como “novo Camilo” (Cecchi). Em 1540, instala-se no Palazzo della Signoria, que ele começa a decorar à imagem de suas pretensões. Em 1543, data da encomenda dos afrescos da Sala dell´Udienza di Giustizia a Salviati, ele obtém de Carlos V a restituição das fortalezas de Florença, Pisa e Livorno. É o primeiro passo para a progressiva submissão das cidades autônomas da Toscana, que cairão uma a uma sob seu controle, até a difícil conquista de Siena, em 1555. Como ocorre frequentemente nos programas iconográficos (tal é, por exemplo, o caso do projeto de 1505 de Michelangelo para o sepulcro de Júlio II, no qual se pretendia representar as conquistas ainda não realizadas pelo papa) o paralelo Camilo / Cosimo I enriquece-se aqui através de um desideratum do duque.

(continua no comentário ao detalhe do afresco)

Artista

SALVIATI, Francesco (Cecchino) de´ Rossi, chamado

Data

1543-1547

Local

Florença, Palazzo Vecchio

Medidas

desconhecido

Técnica

Afresco

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

307.5.23 - Triunfo de Marcos Fúrio Camilo (396)

Autor

Luiz Marques

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