Urânia Alegoria da Astronomia

Registro inventarial: inv. T. 1940

Urânia é, simultaneamente, o nome genérico de ninfas
celestes que governam a harmonia das esferas e uma das nove
Musas, filhas de Zeus e Mnemôsine. Situada no ápice da
hierarquia das Musas, Urânia preside a astronomia e a
geometria.

Mãe, com Apolo, do poeta Linos e de Himeneu, ela tem por
atributos, sobretudo na pintura barroca, o manto azulado, a
coroa de estrelas, o compasso e um ou vários planetas. É
instrutiva a comparação com a Urânia do Cabinet des Muses do
Hôtel Lambert, Paris (Louvre), pintado por Eustache Le
Sueur, entre 1652 e 1655, exatamente com os mesmos
atributos.

A atribuição desta obra a Francesco Cozza (1605-1682) foi
proposta ao Museu por Michel Laclotte (Comunicação oral,
1972) e, já anteriormente, por Erich Schleier (1971 e carta
de 1984). A cultura clássica de Cozza mantém-no indiferente
à prática do bozzetto barroco, rápido e virtuoso estudo de
paleta. Nada há, aqui, do nervosismo da “pintura de toque”,
malgrado a vibração do sistema de pregas, o modo de expedir
a pincelada desfazendo o desenho da mão, e o brio cromático
em que refulgem, no interior de cada cor, reflexos
avermelhados e tonalidades lunares.

Trata-se de um modelletto para um detalhe da
decoração do teto da Biblioteca do Colleggio Innocenziano,
cujo tema é o Triunfo da Sabedoria Divina, o que explica bem
porque a alegoria é concebida em um sotto in su,
ocasião para escorços inusitados, como o do braço que se
prolonga no compasso. Tais circunstâncias permitem uma
datação segura, atrelada à do ciclo pamphiliano.

Há apenas duas fontes que esboçam rapidamente uma biografia
de Francesco Cozza, pintor nascido em Stilo Calabro: Pascoli
(1730) e uma passagem em Lanzi (1789/1809). Os dois autores
dizem que Cozza está em Roma antes de 1630, e que lá pinta
em 1632, um retábulo com São José, o Menino Jesus e Anjos
para a igreja de Sant’Andrea delle Fratte.

Em 1635-36, vai a Nápoles, onde trabalha como ajudante e é
ao mesmo tempo, aluno de Domenichino. Por volta de 1640,
está de volta a Roma, fixando-se na cidade definitivamente.

Em Roma, a partir do final dos anos 1640, Cozza passa a
trabalhar para os Pamphilj, para quem realiza a decoração da
Stanza del Fuoco no palácio de Valmontone (1658-59), o
Triunfo da Sabedoria Divina, no teto da Biblioteca do
Collegio Innocenziano, e a Alegoria da Casa Pamphi

Artista

COZZA, Francesco

Data

1660/ 1670

Local

Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes

Medidas

72 x 61 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Mitologia, História e Topografia Antigas

Período

SÉCULO XVII

Index Iconografico

12JupxMne - Zeus Júpiter e Mnemôsine; 12JupxMne - Urânia
Astronomia

Autor

Luiz Marques

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