Virgem em trono com o Menino Jesus, Anjos e Profetas (Madona Trinita)

“Na “”Vida de Cimabue””, Giorgio Vasari refere-se a este grande retábulo nos seguintes termos:

Avendo poi preso a fare per i Monaci di Vallombrosa nella badia di S. Trinita di Fiorenza una gran tavola, mostrò in quella opera, usandovi gran diligenza per rispondere alla fama che già era conceputa di lui, migliore invenzione e bel modo nell´attitudini d´una Nostra Donna ch´e´ fece col Figliuolo in braccio e con molti Angeli intorno che l´ado-ravano, in campo d´oro; la qual tavola finita, fu posta da que´ monaci in sull´altar maggiore di detta chiesa, donde essendo poi levata per dar quel luogo alla tavola che v´è oggi di Alesso Baldovinetti, fu posta in una capella minor[e] della navata sinistra di detta chiesa.

“”Tendo em seguida executado para os Monges de Vallombrosa na abadia de S. Trinita de Florença um grande retábulo, mostrou nessa obra, ao empregar grande diligência de modo a corresponder à fama de que já gozava, melhor invenção e bela maneira nas atitudes de uma Nossa Senhora com o Menino nos braços e com muitos Anjos à volta que o adoravam, sobre um fundo de ouro. Este retábulo foi colocado pelos monges no altar maior daquela igreja, de onde foi retirado para dar lugar ao retábulo que aí se encontra hoje, de Alessio Baldovinetti, e colocado em uma capela menor da nave esquerda da igreja””.

Tal como demonstrado por Eugenio Battisti, a obra foi efetivamente encomendada a Cimabue (1240c.-1302) pelo Geral da Ordem Vallombrosiana, Valentino II degli Abati, figura importante no debate teológico que então se travava no seio da Ordem.

Frequentemente datada pelos estudiosos do último decênio da atividade do artista, sucessivamente aos afrescos de Assis, tudo sugere de fato nesta obra da última maturidade do artista uma confluência de diversas experiências, da consumada assimilação da extraordinária sofisticação da arte bizantina à afirmação de um novo horizonte de imitação dos afetos.

Impõe-se, acima de tudo, o contraste entre a serenidade do ordenamento arquitetônico em que se dispõem placidamente as figuras da Virgem, do Menino e dos Anjos, e a terribilidade arcaizante dos Profetas que despontam de seus nichos com inquietude, urgência expressiva e novo sentimento do espaço.

Luiz Marques
17/07/2011

Bibliografia:
1939/1947 – R. Longhi, Giudizio sul Duecento. Opere Complete. Volume VII, Florença, 1974, pp. 1-53.
1963 – E. Battisti, Cimabue, Milão: Istituto Editoriale
1975 – E. Sindona, L´Opera Completa di Cimabue e il momento figurativo pregiottesco. Milão, Rizzoli, p. 112
1987 – L. Marques, La Peinture du Duecento en Italie Centrale. Paris, Picard.
1998 – L. Bellosi, Cimabue, Milão, Federico Motta, p. 249

Artista

CIMABUE, Cenni di Pepi, chamado

Data

1292/ 1300

Local

Florença, Galleria degli Uffizi

Medidas

385 x 223 cm

Técnica

Têmpera sobre madeira

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

OCIDENTE MEDIEVAL

Index Iconografico

711 - A Virgem com o Menino Jesus; 711A - Maestà. A Virgem no trono com o Menino Jesus e os Anjos

Autor

Luiz Marques

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