Título da Obra:  Moisés
Artista:   Michelangelo Buonarroti
Index Iconográfico:  508 - Mausoléus, tumbas, sepulcros, lápides; 524 - Moisés
Técnica:   mármore de Carrara
Data:   1513c. - 1542 (?)
Período Histórico:   36 - SÉCULO XVI
Dimensões:  235 cm
Local:   Roma, S. Pietro in Vincoli
Texto:   Em sua Vida de Michelangelo, Giorgio Vasari escreve uma página memorável acerca da obra:

"Terminou o Moisés, de cinco braças, de mármore, estátua que não terá jamais coisa moderna que lhe possa disputar a beleza, e das antigas pode se dizer o mesmo: sentando-se com gravíssima atitude, pousa um braço sobre as tábuas seguras por uma das mãos, e com a outra traz a barba anelada e longa, esculpida no mármore em tal maneira, que os cabelos, onde tanta dificuldade encontra a escultura, são executados muito sutilmente plumosos, suaves, desfiados, a ponto de o ferro parecer transformar-se em pincel.

Além disso, parece que ao contemplares a beleza da face, com aura de verdadeiro santo e terribilíssimo príncipe, sintas o desejo de pedir-lhe um véu para cobri-la, tão esplêndida e brilhante se mostra. E tão bem retratou no mármore a divindade que Deus emprestara àquele santíssimo semblante, para não falar dos panos revoltos, finalizados no giro belíssimo das pregas, dos músculos dos braços e da ossatura e nervos das mãos, executados com tanta beleza e perfeição, e das pernas, dos joelhos e dos pés tão bem plantados, que Moisés pode, hoje mais que nunca, chamar-se amigo de Deus, que tão antes dos outros quis, pelas mãos de Michelangelo, compor lhe e preparar lhe o corpo para a ressurreição.

E prossigam os judeus, como fazem a cada Sabath, homens e mulheres, tal qual estorninhos, a ir em fila visitá-lo e adorá-lo, que não o adorarão como coisa humana, mas divina".

De acordo com a descrição vasariana do projeto de 1505 para o sepulcro do papa Júlio II (1503-1513) e com os desenhos de Berlim e de Florença que o documentam, Michelangelo planejava situar a personagem bíblica, em contraponto com uma estátua sentada de São Paulo, num dos ângulos do registro superior do sepulcro.

Nos desenhos dos Uffizi 608r. e de Jacopo Rocchetti no Kupferstichkabinett do Museu de Berlim, reconhece-se à direita a figura de Moisés, com seus atributos: as tábuas da Lei (e os cornos no desenho de Berlim), o que permite constatar que entre o desenho e a escultura realizada duas mudanças ocorreram.

A primeira mudança é a alteração na postura da figura, que se apresentava então com a cabeça voltada para frente. Não é dado saber quando Michelangelo decidiu girar para a direita a cabeça da figura, transformando-a em um contraposto que se conta entre os mais complexos, orgânicos e dramáticos de sua obra.

Vasari não se pronuncia sobre a questão em 1568, malgrado a carta de um anônimo (Antonio dal Francese? Michele degli Alberti?) a ele endereçada em março de 1564, isto é, após a morte do artista, ocorrida em 18 de fevereiro daquele ano. A carta conserva-se na Biblioteca Nazionale di Firenze e foi publicada no literarische Nachlass vasariano de Frey [1923/40:II,64] e novamente por Forcellino [2002:100,269].

Nela, o missivista vangloria-se de ter sido o autor, por volta presumivelmente de 1542, da idéia de girar a cabeça da figura de Moisés, idéia que Michelangelo teria acatado quando já muito avançado na execução da obra:

Hauendo lui [Michelangelo] fatta dirizzare in piede in casa sua la statua del Moise, quale era bozzata assai a bon termine infino al tempo di papa Julio Secondo, trouandomi io seco a guardarla, gli dissi: 'Se questa figura stesse con la testa uolta in qua, chredo, che forse facesse meglio'. Lui a questo non mi rispose; ma doi giorni dapoi, essendo io da lui, mi disse: 'Non sapete, il Moise ce intese parlare laltro giorno et per intenderci megglio si è volto'. Et andando io a uedere, trouai che li haueua suoltata la testa (...); ne credo quasi che a me stesso, considerando la cosa quasi che impossibile.

"Tendo ele [Michelangelo] mandado colocar de pé em sua casa a estátua do Moisés, tal como estava esboçada já de modo avançado desde o tempo do papa Júlio II, encontrando-me eu com ele a olhá-la, disse-lhe: 'Se esta figura tivesse a cabeça voltada para cá, creio que talvez ficasse melhor'. Não me respondeu; mas dois dias depois, estando eu novamente em sua casa, disse-me: 'Não sabeis? o Moisés nos ouviu conversando outro dia e para melhor nos ouvir girou a cabeça'. Fui vê-lo e Michelangelo havia-lhe soltado a cabeça (...) nem eu acredito quase em mim mesmo, considerando a coisa quase como impossível".

(continua no texto que acompanha a imagem de detalhe)

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