El rapto de las mulatas

De origem cubana, Enríquez pertence ao grupo de pintores que na década de 1920 formaram a vanguarda artística cubana. O próprio artista denominou o conjunto de suas obras “o Romancero Criollo” no sentido em que elas podem ser vistas como uma representação do latino-americano, numa mistura de mitos e lendas que convivem no novo mundo.

A cena representa o rapto das mulatas pelos membros de “guardia rural” polícia local de inícios do século XX, caracterizada tanto pela sua violência legendaria, quanto pela indumentária, uniforme, chapéu branco e munições cruzadas no peito, e as mulatas, nome dado às crioulas cubanas filhas dos amores `proibidos` entre negros e brancos, cuja beleza e voluptuosidade eram reconhecidas como paradigmático objeto do desejo.

O sensualismo é um elemento distintivo da sua pintura que se aprecia claramente no tratamento das formas por meio de um efeito de transparência e do rico colorido da sua paleta. Nesta obra tudo é volume e sensualidade o que percebemos tanto nas figuras femininas voluptuosas, que em lugar de resistir, parecem se entregar ao prazer do violento abraço, quanto nos dois cavalos que intervêm na narrativa. Produz-se um jogo entre as curvas que contormam os seios das mulatas e as linhas que contornam a paisagem onde até as palmas, típicas árvores cubanas, parecem se curvar perante o torvelinho criado pela força dos personagens que em primeiro plano giram numa violenta espiral que faz confundir os corpos de humanos e animais.

A arma da figura da esquerda destaca na composição como um elemento fálico, o único formado por linhas inteiramente retas. O tratamento das figuras masculinas é diferente do resto dos elementos que compõem a cena, onde o efeito de transparência diminui em pinceladas de branco mais compactas.

As figuras formam um círculo concêntrico a partir da cabeça de um dos cavalos que ocupa o primeiro plano da cena. Primam na composição o vermelho e o amarelo cuja combinação aporta uma aparência de chamas que dão maior movimento e vivacidade, tendo como fundo o lilás escuro do céu que sugere o inicio de um anoitecer. O artista na composição a partir de estudos realizados sobre lendas populares cubanas, evoca toda uma tradição pictórica ocidental cultivada por meio das mãos de grandes mestres que representaram cenas de raptos inspirados na mitologia greco-latina ao longo da história da arte como o Rapto das Sabinas ou o das filhas de Leucipo (1616) de P.P. Rubens.

Monica Villares Ferrer
25/04/2010

Artista

ENRÍQUEZ, Carlos (1900/1957)

Data

1938

Local

Havana, Museo de Bellas Artes

Medidas

162.4 x 114.5 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

Vida Social e Gênero

Período

O SÉCULO XX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL

Index Iconografico

1390 - Cenas eróticas e de sexo

Autor

Luiz Marques

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