Embriaguez de Noé. Imagem 1

Na Vida de Michelangelo, Giorgio Vasari (1568) assim descreve a cena da embriaguez de Noé:

“Não se pode dizer o quanto foi bem expressa a cena de Noé, ébrio de vinho, adormecido e descoberto, em presença de um filho que se ri de sua nudez, enquanto outros dois o recobrem”.

A fonte é Gn 9,20-23:

Coepitque Noe agricola plantare vineam; bibensque vinum inebriatus est et nudatus in tabernaculo suo. Quod cum vidisset Cham pater Chanaan, verenda scilicet patris sui esse nudata, nuntiavit duobus fratribus suis foras. At vero Sem et Iapheth pallium imposuerunt umeris suis et incedentes retrorsum operuerunt verecunda patris sui, faciesque eorum aversae erant, et patris virilia non viderunt.

“Noé, homem agrícola, começou a plantar uma vinha; e bebendo vinho embriagou-se e desnudou-se em sua tenda. Quando Cam, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, anunciou-a a seus irmãos fora da tenda. Mas Sem e Jafé tomaram o manto e puseram-no sobre os seus próprios ombros e, andando de costas, cobriram a nudez de seu pai, seus rostos estavam voltados para trás e eles não viram a genitália de seu pai”.

O afresco recobre a primeira arcada (campata) a partir do ingresso da Capela Sistina e sua execução tomou 31 jornadas, cf. Bambach Cappel [1994:101].

Tolnay [1945] e Barocchi [1962] notam como a descrição vasariana é genérica e imprecisa, tendo possivelmente contaminado o texto de Condivi:

“No nono [vão], que é o último, está a história de Noé, quando ébrio, deitado por terra e mostrando as partes vergonhosas, escarnecido por Cam e recoberto por Sem e Jafé”.

Segundo Camesasca [1966:91], o afresco, o segundo na ordem cronológica da execução, após o Dilúvio, registra intervenções de auxiliares na cabeleira de Sem. A figura de Noé teria sido pintada “alla prima”, isto é, sem recurso ao cartão.

Uma queda do reboco na altura do ombro do filho que recobre Noé foi reintegrada recentemente à aquarela. Há signos de antiga formação de mofo, em conformidade com o relato vasariano. Barocchi (1962) registra as interpretações de Harford [1857] e de Klaczko [1898] segundo as quais o ciclo encerrar-se-ia com uma nota sobre o caráter destinal da maldade humana. Assim, Harford: the great artist intimates by this painful subject that (…) the natural tendency of mankind is habitual proneness to evil.

E Klaczko [1898]: Que la pensée de l´Ivresse de Noé est au fond douloureuse et navrante! C´est la pensée qui a déjà marqué d´un accent tellement aigu l´histoire

Artista

Michelangelo Buonarroti

Data

1508/ 1509

Local

Vaticano, Capela Sistina

Medidas

desconhecidas

Técnica

Afresco

Suporte

Pintura

Tema

Bíblia e Cristianismo

Período

36 - SÉCULO XVI

Index Iconografico

514 - Gênese; 514.40 - Embriaguez de Noé

Autor

Luiz Marques

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