Monumento a José de Alencar, Parte 5 –

Podemos notar que a fase indianista do Alencar é privilegiada pelo escultor nesse monumento, principalmente pelos medalhões, que contêm representações de personagens destes livros: Martim e Iracema, Peri e Cecília. No caso do relevo que trata do romance Iracema, a passagem é comentada por Alexander Miyoshi:

“Iracema é provavelmente mostrada no capítulo sete do romance, no qual enfrenta o chefe de sua tribo, o tabajara Irapuã. Este, apaixonado por Iracema, pretende matar Martim enquanto ele dorme (Martim estaria no lado esquerdo do relevo, onde parece haver uma rede, amarrada a uma árvore). Iracema se interpõe a Irapuã, dizendo que o primeiro passo do chefe seria o “passo da morte.”

Para Alfredo Bosi “o índio de Alencar entra em íntima comunhão com o colonizador” e, como ressalta ainda o autor, “a entrega do índio ao branco é incondicional, faz-se de corpo e alma, implicando sacrifício e abandono de sua pertença à tribo de origem”. Bosi cita Machado de Assis, que escreveu a introdução do livro em 1875: “Não resiste, nem indaga, desde que os olhos de Martim se trocaram com os seus, a moça curvou a cabeça àquela doce escravidão” e ressalta que os romances de José de Alencar procuram apresentar uma visão conciliatória do enfrentamento entre selvagem e colonizador presente na história do Brasil, a qual:

“viola abertamente a história da ocupação portuguesa no primeiro século (é só ler a crônica da maioria das capitanias para saber o que aconteceu), toca o inverossímil no caso de Peri, enfim é pesadamente ideológica como interpretação do processo colonial. Nada disso impede, porém, que a linguagem narrativa de Alencar acione, em mais de um passo, a tecla da poesia. A beleza do prosa lírica reverbera aquém, ou, em outro sentido, além da representação do dado empírico que a crônica realista busca espelhar. E o mito, que essa prosa entretece, se faz aquém, ou além da cadeia narrativa verossímil.”

Maria do Carmo Couto da Silva
08/08/2010

Bibliografia:

1997 – José de Alencar. Iracema: lenda do Ceará. Rio de Janeiro: Ediouro, p.36.
1992 – A. Bosi. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, pp.178-179.
2010 – A. G. Miyoshi. Moema é morta. Campinas. Tese de Doutorado apresentada ao Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas. p. 377.

(continua no texto que acompanha a imagem 6)

Artista

BERNARDELLI, Rodolfo

Data

1897

Local

Rio de Janeiro, Praça José de Alencar

Medidas

não informadas

Técnica

Bronze

Suporte

Arquitetura e Monumentos

Tema

Literatura Medieval Moderna e Contemporânea

Período

O SÉCULO XIX NA AMÉRICA HISPÂNICA E NO BRASIL (A PARTIR DE 1822)

Index Iconografico

18 - Poetas e Literatos; 508A - Monumentos cívicos à glória de uma personagem; 1000-AlIr - Iracema

Autor

Maria do Carmo Couto

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