Registro inventarial: inv. n. 286
A obra entrou no MASP em 1958. Pode-se remontar sua proveniência até 1554, quando pertence a Thomas Howard, Duke of Norfolk (Earl of Arundel), pai do retratado. Ela passa em seguida para os Condes de Arundel até ao menos 1655 e precisamente de Thomas e Aletheia, Earl and Countess of Arundel.
Nascido em 1517, Henry Howard, conde de Surrey, é o primeiro da linhagem dos condes de Surrey, à qual pertencem os condes de Arundel, centrais na história do colecionismo inglês no século XVII.
Mais ainda que por sua posição excepcional, ainda que instável, na corte de Henrique VIII, é como poeta que ele se faz presente na história do Renascimento na Inglaterra, pois, ao lado de Sir Thomas Wyat (1503-1542), seu mestre, introduziu ele em seu país a poesia de Petrarca, bem como os estilos e metros da poesia toscana dos séculos XIV e XV, abrindo assim a via para a grande era da poesia elisabetana.
Além de ter traduzido Certain Bokes of Virgiles Aenaeis (i.e., os livros II e IV da Eneida de Virgílio) em blank verses, os decassílabos não-rimados da poesia inglesa de que ele é supostamente o criador, Howard foi o primeiro a desenvolver a forma soneto utilizada em seguida por Shakespeare.
Suas afinidades e sua erudição em relação à cultura italiana – por vezes mediada pela cultura francesa de Fontainebleau – é atestada pelos italianismos de Mountsurrey, a mansão por ele construída em Norfolk, destruída dois anos após sua morte.
Trata-se de um dos últimos retratos de Holbein (1497c.-1543) e um dos mais típicos da objetividade extrema de seu último estilo de retratista, em consonância, como salienta Camesasca, com o ideal de reserva e impassibilidade da aristocracia inglesa e de sua retratística. Para o detalhe do braço direito preso na toga, que deixa ver apenas a mão, ver o retrato de Gaspare Mola* de Alessandro Algardi e seus precedentes antigos.
Luiz Marques
05/02/2010
Bibliografia
1987 – E. Camesasca, Da Raffaello a Goya. Catálogo da exposição. Milão, Palazzo Reale, p. 92
1997 – O. Bätschmann, P. Griener, Hans Holbein. Londres, p. 192
1998 – L. Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo, vol. III, São Paulo, p. 94

