Retrato do poeta Max Herrmann-Neisse

Registro inventarial: inv. 49.1952

O Art Institute of Chicago conserva um primeiro retrato* do
escritor, poeta e dramaturgo, Max Hermann-Neisse (1886-
1941), por Ludwig Meidner (1884-1966), executado em 1913.

O presente retrato é o segundo executado por George Grosz
(1893-1959) de seu próximo amigo, sendo o primeiro, de 1925,
conservado no Staatliche Kunsthalle de Mannheim.

Enquanto o retrato de Meidner pertence de pleno ao
expressionismo, sendo executado no ano de sua exposição no
Erster Deutscher Herbstsalon na Galeria Der Sturm de
Herwarth Walden, em Berlim, os dois retratos de Max Hermann-
Neisse por Grosz e sobretudo este último de 1927 inauguram a
Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade) – resposta
alemã aos movimentos europeus de retorno ao antigo, tais
como o Rappel à l´ordre em Paris ou os manifestos de
De Chirico na Itáia -, movimento de cunho fortemente social,
marcado por um retorno ao naturalismo, à comunicação com o
grande público, à exploração “objetiva” do visível e à
técnica dos grandes mestres alemães do passado (Hans Baldung
Grien, Cranach, etc.)

Cuidadosamente estudado através de mais de trinta desenhos
preparatórios executados em numerosas sessões de pose no
ateliê de Grosz em Berlim, este retrato de Max Hermann-
Neisse mostra seu semblante marcado pelo sofrimento, suas
deformações anatômicas – o crânio e a corcunda -, com a
evidência de uma dissecção e sem recurso a qualquer ênfase
“expressionista”.

O retrato surge como um marco da plena consagração do
dramaturgo, pois é neste mesmo ano de 1927 que ele se torna
o primeiro nome agraciado com o Gerhart-Hauptmann Preis,
prêmio outorgado pela Freie Volksbühne de Berlim a
dramaturgos alemães.

As relações de Grosz com o mundo do teatro são múltiplas e
bem conhecidas. O ano deste retrato, 1927, é de resto também
o de mais um processo contra o pintor, desta feita por causa
de seu desenho Maul halten und weiter dienen (Cale o
bico e continue servindo), representando um Cristo na cruz
com uma fucinheira. O desenho serviu de cenário para a peça
Die Abenteuer des braven Soldaten Schwejk (As
aventuras do bravo soldado Schwejk) de Bertolt Brecht,
encenado por Erwin Piscator, e transforma Grosz em réu de um
longo processo por blasfêmia, do qual ele não se livrará
senão em 1930.

Luiz Marques
12/11/2011

Bibliografia:
1960 – J. M., “Two Expressionist Masters”. The Art Institute
of Chicago Quarterly, 53-54, fevereiro, pp. 6-9.
1992 – A. Negri, “George Grosz: modelli aulici e triviali
per un´iconografia dell´orrore moderno”. In, Goya Daumier
Grosz. Il trionfo dell´idiozia. Pregiudizi, follie e
banalità dell´esistenza europea. Milão, Mazzotta, pp. 191-
241.
2002 – M. Makela, “A Clear and Simple Style”: Tradition and
Typology in New Objectivity”. Art Institute of Chicago
Museum Studies, 28, 1, p. 43.

Artista

GROSZ, George

Data

1927

Local

New York, Museum of Modern Art

Medidas

59.4 x 74 cm

Técnica

Óleo sobre tela

Suporte

Pintura

Tema

A Figura Humana Retratos e Caricaturas

Período

SÉCULO XX

Index Iconografico

1700C - Retratos Pintura; 1700C1 - Retratos contemporâneos

Autor

Luiz Marques

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